Autoeuropa acordo 2006/2008 criar PDF versão para impressão
02-Nov-2006

antonio_chora.jpgNo passado dia 18 de Outubro os trabalhadores da Autoeuropa foram mais uma vez chamados a decidir. Agora sobre uma proposta de pré-acordo para os anos 2006/2008. A participação neste referendo foi de cerca de 84 por cento do total de trabalhadores, o que, se tivermos em conta as ausências por férias e folgas, demonstra uma participação aproximada de 90 por cento dos presentes.

Resumindo o acordo podemos dizer que o mesmo contempla um aumento salarial de 4,5 por cento para dois anos, (o que dá um aumento médio de aproximadamente 3 por cento ao ano), uma actualização das tabelas salariais em um por cento no final do acordo, para que o próximo aumento seja encontrado já sobre este valor, um prémio mínimo de 1200€ num máximo de 1,2 salários, o pagamento do trabalho extraordinário aos Sábados e Feriados a 100 por cento - o que significa passar a receber apenas dois dias por cada Sábado em vez dos actuais 3, ou 2,5 no caso dos Feriados -, manter os 25 por cento de compensação, por cada hora extraordinária, (esta redução tem início em Janeiro de 2007 e, caso não venha para a Autoeuropa o sucessor do MPV, termina em Janeiro de 2008, sendo os trabalhadores reembolsados dos valores pagos durante o ano de 2007), continuação da passagem de trabalhadores a contrato para efectivos e passagem de trabalhadores temporários para trabalhadores a contrato com a Autoeuropa, garantia de não haver despedimentos colectivos até Dezembro de 2008.

O resultado, que todos conhecem, foi a aprovação do pré-acordo negociado entre a Comissão de Trabalhadores (CT) e a Administração, com 62,2% dos votos.

Agora este acordo vai certamente assumir uma grande importância na empresa, mais concretamente ao nível do emprego presente e principalmente futuro.

É claro que não podemos deixar de realçar os 36,5% de votos contrários ao acordo, mas a verdade é que tal só é possível de contabilizar, quando os representantes dos trabalhadores têm a coragem de colocar à aprovação os acordos por voto secreto. A chamada democracia de braço no ar nunca dá tais resultados, dá unanimidades, que qualquer democrata deve recusar e de que deve até desconfiar.

É claro que há outros que têm leituras diferentes, leituras que dizem que se deveria aproveitar os 36,5% de trabalhadores para lutar (?). Ou seja, utilizar as minorias para pressionar as maiorias. Esta é uma técnica conhecida, que levou no que diz respeito à governação, à submissão de milhões de pessoas um pouco por todo o mundo.

Para a maioria que suporta a actual CT é sempre importante ouvir os trabalhadores, não só os que estão a favor, mas também os que estão contra, de modo a melhorar o nosso trabalho, no presente e no futuro.

Esta maioria sabe que só com democracia se pode conseguir a unidade de todos, foi assim quando o acordo do ano anterior chumbou com 13% de votos de diferença, o que nos levou de imediato a novas negociações. Nunca virámos a cara às adversidades e nunca o iremos fazer, mas também evitamos embarcar em políticas que já foram testadas no País, e principalmente no distrito, com resultados desastrosos para milhares de trabalhadores.

Numa época em que deslocalizar é a palavra chave neste país, e até neste distrito, os trabalhadores da Autoeuropa, demonstraram que querem defender os seus empregos, garantir o seu futuro por muitos mais anos, e souberam dar no momento certo, o passo necessário para isso. É verdade que outros deram passos iguais sem resultados mas, digo eu, deram-nos tarde de mais.

Alguns têm a prática e a política de fazerem os possíveis para que tudo corra mal, para provarem que têm razão. Nós temos uma política e uma prática que é a de fazer os possíveis, e às vezes os impossíveis, para que tudo corra bem.

Também desta vez a CT e a totalidade dos trabalhadores assim fizeram. E estamos conscientes que a empresa tem agora os mecanismos que solicitava para a vinda de novos produtos, nomeadamente o sucessor do actual MPV, e com isto garantir, não só os actuais postos de trabalho, como criar cerca de 3 mil novos empregos entre o parque industrial e a Autoeuropa.

 
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