Orçamento "suplementar" atrai mais críticas ao governo criar PDF versão para impressão
16-Jan-2009
Governo levou meses a admitir cenário de recessão para 2009. Foto Guano/FlickrO governo divulgou na sexta-feira as novas previsões para a economia portuguesa, poucas semanas após a aprovação do Orçamento de Estado assente em previsões optimistas. A oposição criticou as medidas "tardias" e a CGTP considera que a mudança súbita de discurso "descredibiliza" o governo e não serve para mobilizar o país para enfrentar a crise.

 

A recessão da economia em 0,8% do PIB e a subida do desemprego para os 8,5% fazem parte do cenário de crise que o governo agora antevê para 2009. O secretário-geral da CGTP diz que seria "importantíssimo que o Governo falasse verdade num contexto destes e que, a partir da exposição dos factos, houvesse todo um mobilizar de forças e de capacidades do País para dar resposta aos programas". Mas os ziguezagues nas previsões orçamentais não são poupados pelo líder sindical.

"Neste comportamento de alteração das previsões e tendo vindo, até há pouco tempo, a afirmar de forma peremptória que os resultados iam ser outros, o Governo descredibiliza crescentemente as suas posições e permite que se ande sistematicamente neste cenário de ampliar sucessivamente a desgraça, em vez de mobilizar forças para dar resposta aos problemas", afirmou Manuel Carvalho da Silva.

O deputado do Bloco de Esquerda João Semedo sustentou que as previsões do desemprego "são excessivamente optimistas", já que a "crise social não deixará de agravar-se". Semedo diz que este Orçamento rectificativo traz "medidas tardias e insuficientes para desenvolver a economia" e aponta ainda "a contradição entre as boas intenções e promessas e a realidade da política do PS e do governo, que ainda esta manhã no parlamento votou contra o alargamento do subsídio de desemprego. Em Portugal, mais de metade dos desempregados não recebe qualquer subsídio ou apoio social e é sabido que a situação vai piorar em 2009", lembrou o deputado bloquista.

Quanto à subida do défice para 3,9, Carvalho da Silva diz que "o problema não é o défice em si, é se aquilo que significa de volume financeiro este agravamento do défice acaba para recompor fortunas de grandes capitalistas e os problemas se continuam a agravar".

O ministro das Finanças diz que a quebra na procura externa foi determinante para o cenário de recessão, mas ainda acha que 2010 e 2011 serão anos de crescimento. Mas avisa desde já que vivemos num quadro de "grande incerteza" e que “nada nos garante que os desenvolvimentos externos nos obriguem a olhar para estas matérias e a rever estas matérias” uma vez mais, após este Orçamento que o governo baptizou de "Suplementar".

Os restantes partidos da oposição foram igualmente críticos da proposta agora anunciada. “Primeiro, os portugueses fizeram sacrifícios para responder ao défice. Agora, fazem sacrifícios por causa da crise e, amanhã, com os défices para 2010 e 2011, vão voltar a tornar a pedir novos sacrifícios”, disse o deputado comunista Agostinho Lopes.

Por seu lado, João Proença, da UGT, foi mais comedido nas críticas, dizendo que  "os dados macroeconómicos não têm nenhuma novidade face às previsões, nomeadamente do Banco de Portugal. É evidente que são números preocupantes, quer em termos de crescimento económico, quer em termos de aumento do desemprego".

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