Correa, Lugo, Morales e Chavez no FSM criar PDF versão para impressão
30-Jan-2009
Algumas centenas de pessoas conseguiram encontrar a sessão pública dos quatro presidentes. Foto João Romão Mesmo sem a presença do anfitrião Lula, quatro presidentes de Repúblicas da América Latina juntaram-se num comício em Belém do Pará, à margem do Fórum Social Mundial, em que valorizaram os contributos do FSM para as lutas pelo socialismo e procuraram o apoio dos movimentos sociais de todo o mundo. Texto e fotos de João Romão, de Belém do Pará, Brasil, para o Esquerda.net.

 

Sobre o local e horário do evento, realizado sob forte protecção policial e militar, foram circulando sucessivos rumores que evitaram a afluência de um público massificado e apenas algumas centenas das cem mil pessoas que assistem ao Fórum estavam na assistência.

Rafael Correa foi o primeiro a discursar e em vinte minutos definiu todo um programa revolucionário. O presidente do Equador começou por criticar a "arrogância do consenso de Washington", partilhado por uma minoria de líderes e salientou o "momento mágico" que vive a política latino-americana, com a eleição de novos governos, de esquerda, que ninguém esperava há dez anos atrás, e que são a expressão da vontade dos povos e o resultado dos movimentos sociais. Economista formado em Chicago, a principal referência teórica do neo-liberalismo nas últimas décadas, o "Chicago-Boy quer re-escreveu a lição", como Chavez viria a dizer, defendeu a redefinição do papel do Estado e a renovação da ideia de planeamento, lembrando que, actualmente, "os que mais planificam são os países ricos e as grandes multinacionais".
 
Correa apelou à articulação de forças nacionais e acções colectivas contra o capitalismo contemporâneo, onde o trabalho é um instrumento do capital e a competição assenta na precariezação das relações laborais, defendendo uma nova ênfase no valor de uso em detrimento do valor de troca e dando como exemplo a selva amazónica, "o mais precioso bem da Humanidade" e novos conceitos de desenvolvimento, assentes em novas arquitecturas regionais e novos processos de colaboração entre regiões. Segundo Correa, "o socialismo não questionou os grandes objectivos do capitalismo - massificar o consumo e produzir mais riqueza - e apenas os tentou atingir mais depressa", pelo que o socialismo do século XXI deve ser "evolutivo, adaptado às condições de cada sociedade, não-dogmático e eficaz".
 
Fernando Lugo, eleito há um ano presidente do Paraguai, também salientou que "a História dos nove Fóruns Sociais Mundiais corresponde a uma mudança profunda na situação política da América Latina: as lutas dos movimentos sociais têm sido o suporte da mudança, construída nas ruas, debaixo das árvores, nas lutas, nas eleições, com vitórias e derrotas". "O que conseguimos" - afirmou - "foi suficiente para derrotar o neo-liberalismo mas ainda não chega para construir a sociedade que a América Latina merece: para navegar na Amazónia é preciso paciência, mas na América Latina precisamos de impaciência para construir um novo continente. Um novo mundo, não só é possível, como se está a tornar real", concluiu.
 
Evo Morales não chegou a utilizar os vinte minutos previstos para cada orador para evocar "a defesa da terra", com o exemplo da Amazónia e dos povos amazónicos. "Não quero que me convidem, quero que me convoquem", esclareceu o presidente boliviano, que exigiu "justiça e humanidade em vez de ambição" e pediu aos movimentos sociais que não o esqueçam, .
 
Hugo Chavez foi o últimos dos presidentes a falar, salientando que havia vinte minutos para um discursar e que é assim o socialismo. No entanto, ao contrário dos restantes, falaria durante quase cinquenta minutos, grande parte dos quais a evocar o legado de Fidel Castro e os encontros que foi mantendo nos últimos vinte anos com o líder cubano. Saudou os companheiros de mesa e evocou Tupac Amaru, o chefe índio que, nos momentos antes de ser esquartejado por quatro cavalos a mando dos colonizadores espanhóis, declarou com dignidade: Vou, mas um dia voltarei, feito milhões".
 
Chavez foi o único a referir-se ao "genocida" que ocupou a Casa Branca nos últimos dez anos e que "saíu pela porta de trás, para o caixote de lixo da História", para desafiar Barack Obama a marcar uma efectiva mudança, libertando o território de Guantanamo para a tutela de Cuba ou retirando o seu exército do Equador. No entanto, esclareceu que "não temos "grandes expectativas" e apenas exigiu "respeito pela soberania venezuelana".
 
O presidente da Venezuela lembrou que 300 anos de capitalismo provocaram fome, desigualdades, trabalho infantil, destruição da natureza e contaminação, salientando que estes problemas só se agravaram com o aprofundamento do capitalismo global, para defender a construção, com os movimentos sociais, de um novo socialismo: "não ha terceira via - ou capitalismo ou socialismo". Tal como os outros presidentes, Chavez defendeu a importância dos movimentos sociais, porque "um novo mundo é possível, um novo mundo é necessário, um novo mundo está a nascer. O longo discurso - que fez alguns assistentes abandonarem o recinto antes do final - acabou com um grito de esperança: "Pátria, Socialismo ou Morte. Venceremos!"
 
A organização do encontro foi apoiada pelo PSOL e promovida pelo Movimento dos Sem Terra (MST), que não convidou Lula da Silva. No entanto, o presidente do Brasil havia de juntar aos outros quatro presidentes num comício nocturno, centrado na problemática da crise mundial, encarada como uma oportunidade para a construção de um novo modelo de desenvolvimento e uma nova sociedade. Nesse comício foram apresentadas medidas anti-crise em curso na América Latina, que incluem um significativo reforço dos investimentos público, nomeadamente nas áreas da habitação e energia, e a criação de um banco regional de investimento para apoio ao desenvolvimento.

 Evo Morales disse aos movimentos sociais que

 Evo Morales disse aos movimentos sociais que

 

 Evo Morales disse aos movimentos sociais que

 

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