Lula reúne com Conselho Internacional do FSM criar PDF versão para impressão
31-Jan-2009
Lula e Dilma, que apareceu no FSM com novo visual e foi anunciada como próxima candidata presidencial pelo PTO presidente do Brasil afirmou que a edição deste ano do FSM «mostra a necessidade da sua continuidade e a importância da diversidade democrática». Lula esteve acompanhado por alguns membros do seu governo, como Dilma Roussef, que anunciou como a próxima candidata presidencial pelo PT. Texto de João Romão, em Belém do Pará, Brasil, para o Esquerda.net.


Lula da Silva promoveu um encontro com as associações que integram o Conselho Internacional do Fórum Social Mundial, que reuniu cerca de 80 pessoas na sala de um hotel em Belém do Pará. O presidente do Brasil saudou a realização do Fórum e afirmou que a edição deste ano, que considerou melhor organizada e mais participada, «mostra a necessidade da sua continuidade e a importância da diversidade democrática». Lula esteve acompanhado por alguns membros do seu governo, como Dilma Roussef, que anunciou como a próxima candidata presidencial pelo PT.

O encontro começou com cinco breves intervenções, previamente seleccionadas, de representantes de organizações do Quénia, França, Chile, Índia e Cuba, às quais Lula foi respondendo num registo relativamente informal. O presidente brasileiro, que não tinha sido convidado pelo Movimento dos Sem Terra para uma sessão no dia anterior que reuniu outros quatro presidentes de repúblicas da América latina, valorizou as iniciativas que desencadeou para beneficiar os produtores agrícolas: Lula informou que 519 mil famílias foram «assentadas» no campo durante o seu governo, o que corresponderá a mais de metade dos assentamentos registados na história do Brasil, e referiu também a nacionalização de 43 milhões de hectares de terras (uma área muito superior à totalidade do território de Inglaterra, Itália ou Alemanha).

Lula abordou ainda a crise económica mundial, assumindo tratar-se de uma «oportunidade» para repensar os modelos actuais de consumo e desenvolvimento, no seguimento do que tinha sido defendido na véspera, no comício em que participou com Chavez, Morales, Lugo e Correa. Além de referir a criação de um banco regional de investimento na América Latina, o presidente brasileiro salientou os passos dados nos últimos anos na cooperação regional na região e a importância dos Fóruns Sociais para o aprofundamento dessas relações de cooperação, lembrando que, por vezes, há países que não podem enfrentar as grandes potências (e, em particular, os Estados Unidos) por causa dos financiamentos e ajudas financeiras que daí obtêm.

Lula explicou ainda o seu posicionamento em relação à crise actual, garantindo um reforço significativo do investimento público: «se a lógica empresarial diz que devemos ser prudentes nos investimentos, as preocupações sociais exigem o seu reforço», adiantou. O ex-sindicalista lembrou ainda que, apesar da crise, o Brasil não entrou em colapso, ao contrário do que tinha acontecido, por duas vezes, durante os anos 90, lembrando «os yuppies desses tempo, que nem sabiam localizar o Brasil no mapa mas davam palpites sobre o que o país devia fazer» e os países que defendiam o livre comércio quando a situação era boa e agora defendem o proteccionismo.

Nesta reunião, o presidente brasileiro acabaria ainda por fazer a sua primeira declaração pública sobre a sua possível  sucessão, apresentando Dilma Roussef como a próxima candidata presidencial pelo PT. Além de Lula, Dilma seria a única pessoa do governo a intervir na reunião, apresentando uma iniciativa que está a ser preparada com vista à revisão da regulamentação da actividade dos órgãos de comunicação social, incluindo os meios independentes.

O Conselho Internacional é o organismo que tutela e coordena o Fórum Social Mundial, com cerca de uma centena de elementos, onde se incluem algumas personalidades que estiveram na origem da criação do Fórum e alguns movimentos sociais. O PT, ou organizações que lhe são próximas, controla cerca de um terço dos integrantes deste órgão. Na reunião de Belém, Lula garantiu todo o apoio para tornar possível a realização do FSM nos Estados Unidos (onde há problemas com os vistos de entrada no país) ou no Médio Oriente (onde se colocam questões de segurança).

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