O Acordo da Autoeuropa e o PCP criar PDF versão para impressão
08-Nov-2006

antonio_chora.jpgOs trabalhadores da Autoeuropa demonstraram, no passado mês de Outubro, que querem defender os seus empregos e garantir o seu futuro por muitos mais anos. O Presidente da marca VW, em carta enviada no passado dia 24 de Outubro, reconhece que a empresa tem agora os mecanismos que solicitava para a vinda de novos produtos, nomeadamente o sucessor do actual MPV, podendo com isto garantir não só os actuais postos de trabalho como criar cerca de 3 mil novos empregos, entre o parque industrial e a Autoeuropa.

Mas, e apesar disto, veio o PCP distribuir para a porta da empresa um pasquim denominado "O Faísca", de uma pseudo-célula de empresa (pseudo, porque quem distribui o dito pasquim são reformados, funcionários e pré-reformados do aparelho), onde numa página A4 ataca o acordo, mostrando a sua faceta de pseudo defensores dos trabalhadores, esquecendo-se que os desempregados também são trabalhadores, para os quais é urgente e necessário arranjar emprego (a este respeito não fazem uma única referência), e foi aí que os jovens trabalhadores da Autoeuropa mostraram a sua solidariedade de classe, ao aprovarem o acordo que permitirá (já está a permitir) a criação de emprego na empresa, no parque, enfim, no País.

A prática do PCP todos conhecemos: é a do quanto pior melhor, tal como o provam as propostas do seu homem de mão (membro do Comité Central) na CT durante as negociações:  deixar andar...não responder ás propostas da empresa.... dar demagogia a metro... deixar que tirassem o subsídio de turno aos trabalhadores, e depois lá estava ele para os ajudar e mobilizar.... Ideias e contributos para as negociações, zero. Depois, também mostrou o respeito que tem pelas decisões democráticas, ao recusar assinar o acordo, para o qual a maioria dos trabalhadores mandatou a CT.

Mas a aposta do PC é ganhar a futura CT, tal como referem no dito pasquim, para a transformar num "baluarte da luta de classes no distrito". Mas os trabalhadores ainda não esqueceram os 7 meses em que estiveram em maioria nesta CT, (Março a Outubro de 1999), (veja-se o Avante nº 1322 de 1 de Abril de 1999), depois de promessas de conseguirem este mundo e o outro, fizeram um pré-acordo aumentando de 96 para 120 horas a flexibilidade horária, trabalho ao sábado a troco de 30€, na altura 6000 escudos, e tiveram a lata de ir a Plenário defender tais propostas, como as melhores de sempre. Felizmente os trabalhadores levantaram-se em uníssono e exigiram a imediata demissão de tal maioria e consequentemente da CT.

Se um dia vierem a ter de novo maioria na CT desta empresa, uma coisa é certa: o objectivo será sempre fazerem parte do problema e nunca da solução, com as consequências que conhecemos, noutros espaços e noutros lugares.

António Chora

 
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