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06-Fev-2009
João RomãoOs dois principais tópicos em discussão no Fórum Social Mundial reclamam acção urgente: a crise económica, que ameaça sociedades inteiras com o espectro do endividamento, do desemprego e da miséria, e a crise ecológica, que ameaça a sustentabilidade do planeta e é espelhada com evidência nos problemas da Amazónia.

As discussões e conclusões do Fórum foram conduzindo à ideia de que outro mundo, não só é possível, como é necessário. E urgente: se não for a esquerda a propor alternativas mobilizadoras, outras formas de olhar o mundo, planear a economia e estruturar a sociedade, alguém o fará. E a história mostra como os tempos de crise, desemprego e miséria são terreno fértil para o populismo, o ataque às minorias desprotegidas, a ascensão da extrema-direita.

Foi evidente durante o Fórum a preocupação em encontrar convergências, olhares comuns sobre os problemas, possibilidades conjuntas de intervenção partilhada. É a urgência das respostas que exige essa responsabilidade: é preciso ter ideias e mobilizar a cidadania agora, para construir alternativas ao que existe. Esse é o desafio que se coloca à esquerda e aos movimentos sociais.

Este contexto de urgência de necessidade de convergência nas respostas e na acção ajuda a ultrapassar preconceitos desnessários e sectarismos contraproducentes: entre partidos, entre organizações sindicais, entre movimentos sociais de todos os tipos. Cada estrutura e organização terá as suas características próprias mas as suas intervenções, em vez de antagónicas, têm que ser vistas como distintas, especializadas e complementares.

Esta ideia esteve presente no Fórum: todos são necessários para construir uma alternativa ao capitalismo, que contribua para inventar novos modelos de desenvolvimento, novos conceitos de consumo, formas mais justas de distribuição dos rendimentos ou processos de utilização dos recursos naturais mais adequados à sua sustentabilidade.

A urgência de uma sociedade nova convoca todos para a convergência em práticas transformadoras e o exemplo da América Latina é clarificador: Chavez, Lula, Correa, Lugo ou Morales terão grandes diferenças entre si, mas não foi isso que evidenciaram no Fórum Social Mundial: o que mostraram foi um enorme esforço na procura de soluções colectivas para um futuro comum, que tem que ser escrito a partir de hoje. Com os partidos (o PT é um dos grandes impulsionadores do Fórum), os sindicatos e os movimentos sociais.

João Romão

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