O Sem-Vergonha criar PDF versão para impressão
11-Jan-2009
joao_romao.jpgApós a votação parlamentar dos projectos de lei do Bloco de Esquerda e do PEV sobre avaliação dos professores, Augusto Santos Silva declarou que teria sido "uma vergonha" para o parlamento nacional a sua aprovação. Mas não tem vergonha por pertencer a um governo cujas medidas levaram 80% dos professores a protestar nas ruas.

 

Este ministro socialista também não tem vergonha por estar num governo que ainda há dois meses apresentou (e fez aprovar) um orçamento de Estado que rapidamente se verificou estar completamente desfasado da realidade económica do país. Nem tem qualquer vergonha por pertencer a um governo que ao longo do último ano e meio tentou iludir os portugueses acerca de uma crise económica que se tem vindo a agravar e que já era conhecida em todo o mundo.

O ministro não tem vergonha, por outro lado, por estar num governo que em dois anos apenas investiu 1% dos fundos comunitários à sua disposição para o apoio à economia e para o investimento em infra-estruturas públicas. Nem tem vergonha pelo abandono do interior que o seu governo promoveu, através do encerramento de serviços públicos e da redução das verbas do PIDDAC para essas regiões.

Também não tem vergonha, este governante socialista, por ter proposto e aprovado uma revisão da legislação laboral que aprofunda a exploração dos trabalhadores, em particular os mais jovens, que apenas seria elogiada pelas organizações patronais e que chega violar a Constituição.

Santos Silva também não tem nenhuma vergonha pelo sistemático encobrimento e ocultação de informação pelo governo em relação aos voos da CIA que passaram por Portugal, com eventual transporte ilegal de presos para Guantanamo.

Durante a governação de José Sócrates, a pobreza e o desemprego aumentaram e as desigualdades sociais agravaram-se em Portugal. Augusto Santos Silva não tem vergonha. Recentemente, o governo ofereceu, sem concurso público, à empresa presidida por um antigo ministro socialista, a exploração do cais de Alcântara. Não há nenhum motivo de vergonha para Santos Silva.

Nos últimos anos conheceram-se absurdas nomeações de dirigentes políticos, socialistas e outros, para a administração de empresas públicas, com salários principescos e regalias que não são auferidas na generalidade dos países desenvolvidos. Santos Silva não tem nem um pingo de vergonha.

Santos Silva não tem vergonha de pertencer a um governo que se diz socialista mas aplicou com cegueira as estafadas receitas neo-liberais para o funcionamento da economia, do mercado de trabalho ou da prestação de serviços públicos. O ministro Augusto Santos Silva não tem mesmo vergonha nenhuma.

João Romão

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