Por todas as razões, greve a 19 de Janeiro criar PDF versão para impressão
16-Jan-2009
Cecília HonórioO que se pede a professores e professoras no dia 19 de Janeiro é muito para quem perde poder de compra há anos e para quem foi espezinhado pelo absolutismo da maioria PS. Mas é decisivo.

A greve de dia 19 de Janeiro não só assinala os dois anos do cutelo do Estatuto da Carreira Docente como o luto total por um governo que não soube fazer o essencial pela escola pública: as condições de trabalho não melhoraram, as turmas sobrelotadas não desapareceram, a reforma dos currículos foi adiada, falta quase tudo para acompanhar as crianças e jovens com mais problemas, etc., etc.

Mas, em contrapartida, o experimentalismo legislativo da 5 de Outubro deixou um largo rasto de estragos. Um deles resulta do sonho da Ministra e da sua equipa: dividir a carreira docente entre sargentos e soldados rasos, todos com dever de obediência e aprumo perante a sua luminosa patente. Uma classe profissional na rua e uma greve sem memória são as provas de que professoras e professores não engolem esta farsa e a avaliação que a cose.

O modelo de avaliação de desempenho é uma nódoa e já conheceu mais metamorfoses do que a rã. Mas o coaxar do simplex nem resolve o essencial, nem mexe no que interessa: acabar com a divisão insana entre professores titulares e não titulares. Aliás, o simplex é um espelho da hipocrisia: ao permitir que um/a professor/a para ser "bom" não precise de avaliação da componente científica e pedagógica, e que um/a avaliador/a não tenha de dar provas de que é bom para poder avaliar @s outr@s, o ME mostra o que vale. Quotas, carreira cindida, administrativamente, e estrangulada é o que vale, não menos, não mais.

Estas são todas as razões para fazer greve no dia 19 de Janeiro.

Mas ainda há mais. O silêncio da Ministra e a inaudita capacidade de audição d@s representantes de 139 Conselhos Executivos, que tiveram a coragem de confrontar as suas políticas, não enganam. O silêncio, o recuo, a limpeza de pessoal que está a ser feita em sectores chave do Ministério da Educação revelam que Maria de Lurdes Rodrigues é a ministra da educação com que Sócrates está a contar para o ano lectivo de 2009/2010. E cabe-nos decidir, mesmo sabendo que as políticas pesam mais do que as caras, se a escola pública aguenta uma sequela destas, depois de todas as provas de incompetência desta equipa ministerial.

Todas as razões, portanto, para fazer greve a 19 de Janeiro.

Cecília Honório

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