Indústria automóvel despede ou aplica lay off criar PDF versão para impressão
19-Jan-2009
Daniel BernardinoRealizou-se na passada sexta feira uma reunião com vários representantes da indústria automóvel para apresentação do plano de apoio a esta indústria. Estiveram presentes cerca de 80 empresas. A situação é muito preocupante, aquilo que se vive dentro das empresas é de uma autêntica incerteza quanto ao futuro dos trabalhadores.

Desconhecem como vai ser o seu futuro, qual o salário com que podem contar, na eventualidade das empresas aplicarem a suspensão temporária de trabalho (Lay off).

Existem muitos trabalhadores em situação de falência orçamental familiar, o facto de ficarem desempregados pode lançá-los numa vulnerabilidade à pobreza de longa duração. Mas para outros trabalhadores que nos transmitem as dificuldades financeiras em que vivem, dizem-nos que a perda do posto de trabalho, sendo indemnizados, pode ser um escape momentâneo para resolver a sua grave crise financeira. Perguntamos e depois? Estará a sociedade preparada para absorver estes trabalhadores?

Estamos numa fase de crise social dos trabalhadores que estão endividados de tal forma que se encontram em desespero. A sociedade que deixámos criar, sem respeito pela dignidade humana, gere as pessoas como o elo mais fraco ficando desamparados.

O que podem os trabalhadores desta indústria esperar do Governo? É a pergunta que se coloca quando ouvimos da boca do nosso Ministro da Economia que o despedimento de 400 trabalhadores numa empresa como a PSA em Mangualde significa que "são apenas um terço dos trabalhadores da empresa", será que os trabalhadores e as suas famílias não gostariam de ter uma resposta do Sr. Ministro que tudo faria para encontrar junto da empresa uma solução para evitar este problema?

Será publicada hoje, segunda-feira a primeira portaria que define o apoio à indústria automóvel. Na terça , dia 20, realizar-se-á nova reunião, esta da responsabilidade da associação automóvel de Portugal (ACAP). Vamos aguardar o que podem ter os trabalhadores do sector automóvel como certezas e incertezas quanto ao seu futuro!

Manter o emprego é condição necessária indispensável para sobreviver, mas manter o emprego com redução salarial é quase tão mau como ficar desempregado, pois os rendimentos não conseguem fazer face às despesas. Não só a responsabilidade de cada pessoa está em causa ao gerir de forma deficiente o seu orçamento, mas também a responsabilidade daqueles que deixaram que a agressividade do sector financeiro aglutinasse as famílias com a oferta desregulada do crédito.

Daniel Bernardino

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