É o respeito Sr. 1º Ministro! criar PDF versão para impressão
28-Jan-2009

Mariana AivecaNa quinta-feira, já a altas horas da noite, recebi um e-mail duma professora que confesso me tirou o sono. A história é simples e conta-se em três tempos:

Há dois anos, a professora recusou-se a "...alinhar no processo do concurso para professores titulares por o achar absurdo e contra-natura, o sindicato na altura, não se atreveu a dar indicações aos/as associadas no sentido de recusarem liminarmente o concurso".

"...O ministério não parou. O governo não desistiu porque esta é A REFORMA do regime. Não acredito que amanhã haja o volte-face no parlamento porque a ditadura do PS é a valer. Se o "milagre" se desse acho que iria comprar um foguete e lançá-lo!"

"...Apesar de eu não ser titular, no meu departamento a coordenadora entregou o papel para a aposentação e o presidente do executivo nomeou-me em comissão de serviço para ser titular e avaliadora".

"...Informei o presidente que não estava disponível para a tarefa e acrescentei que iria entregar o pedido de aposentação no dia seguinte aos meus 58 anos".

Esta será certamente a história magoada de muitas professoras e professores deste país.

Deram à escola e aos alunos os melhores anos da sua vida, ensinaram-lhes a ler as letras do mundo, os números da vida, a exercer a cidadania, a viver a participação.

Construíram a partir do obscurantismo do fascismo a escola pública. Uma escola que queriam participada e livre.

E, hoje como se de uma prenda se tratasse, vêem-se na circunstância de pedir precocemente a aposentação porque não suportam mais a humilhação, a perversidade das regras que teimosamente e de uma forma autista lhes querem impor.

Os números dos pedidos de aposentação do ultimo ano e, os que se perspectivam para 2009 são bem a demonstrativos deste facto.

Á Ministra pouco lhe importa que, homens e mulheres na plenitude das suas capacidades abandonem o percurso que tão apaixonadamente escolheram.

A Sócrates, pouco lhe importa os estragos pessoais e profissionais que provocam nestes milhares de pessoas.

O "envelhecimento activo" com que enchem a boca quando se trata de criar melhores condições para os reformados não passa no caso presente de um "activo envenenamento" das vidas dos/as professoras.

Porque Sócrates e a sua ministra, mesmo mascarando os estudos "com regras da OCDE e tudo" não conseguem esconder o essencial do seu comportamento e, da sua politica.

É o respeito pelas pessoas e, pelas gerações em construção.

É a falta de respeito Sr. 1º Ministro.

Mariana Aiveca

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