Intervenção de encerramento da Convenção criar PDF versão para impressão
08-Fev-2009
Sessão de encerramento da VI Convenção do Bloco - Foto de Paulete MatosNa intervenção de encerramento da VI Convenção Nacional do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã afirmou que para combater a exploração e a ganância - que é o "nome próprio do capitalismo" - é necessária uma "esquerda grande". Ouça a intervenção de encerramento de F. Louçã em mp3  e wma. Veja os vídeos com alguns dos momentos da intervenção aqui e aqui

Antes da intervenção de encerramento de Francisco Louçã, dois dos representantes dos partidos de esquerda da europa presentes na convenção, dirigiram algumas palavras aos delegados e convidados.

Lucien Sanchez, do Novo Partido Anticapitalista (França) que esteve este fim de semana reunido no seu congresso fundador, lançou uma saudação fraternal à convenção e sublinhou a necessidade de construir uma alternativa revolucionária à crise do capitalismo. Por seu turno, Yiannis bournous, do Synaspismos (Grécia), sensibilizou os delegados quando lembrou a morte do jovem grego (Alexis), atingido pela polícia no último dia 6 de Dezembro. E terminou com uma vibrante suadação a todos os Alexis de todo o mundo, desde os palestinianos, aos zapatistas, passando pelas mulheres no Irão.

Francisco Louçã iniciou a intervenção de encerramento da Convenção, logo após a passagem de um breve filme sobre os 10 anos do Bloco de Esquerda.

Louçã denunciou o agravamento de todos os indicadores sociais e económicos de 2005 para 2009, passados que estão quatro anos de governo Sócrates. O desemprego era de 7,6% em 2005 e atinge agora os 8,5%. A precariedade afectava 32% dos trabalhadores, mas agora já atinge 35%. O endividamento das famílias também subiu, o que levou Louçã a considerar que Sócrates está a transformar Portugal no país dos "desempregados, precários e endividados".

E ao contrário dos que afirmam que a culpa é da crise na economia, Louçã sublinha que a culpa é da crise da liderança do país, da classe dominante e do poder político que governa, até porque a "ganância" é ela mesma "o nome próprio do capitalismo".

Criticando os que "enlouquecem com o cheiro do dinheiro", Louçã denunciou os 94 offshores do BPN, as centenas do BCP e os muitos outros que pululam pelo país e pelo mundo. "Proteger offshores é proteger o crime e nós não aceitamos isso" afirmou Louçã.

Louçã lembrou ainda que cada contribuinte pagará um salário mínimo nacional para que o Estado possa pagar o buraco do BPN. "Nem um cêntimo para proteger fortunas, Não pagamos!", declarou Louçã, um slogan que entusiasmou os delegados.

De seguida Francisco Louçã apresentou as propostas do Bloco de Esquerda para "responder agora à crise em nome de quem precisa": um serviço público bancário que garanta juros e taxas não especulativas, a proibição de entrega de dividendos aos accionistas por parte de empresas que tenham recebido benefícios do Estado, a proibição dos despedimentos nas empresas com lucros, o aumento das pensões e do salário mínimo (para chegar a 600 euros em dois anos), a revogação do código do trabalho e o imposto sobre as grandes fortunas.

Sobre as declarações do porta-voz do PS Vitalino Canas, que contestou a proposta do Bloco de Esquerda de impedir os despedimentos nas empresas com lucros, Louçã ironizou: "nunca sei se ele está a falar em nome do PS ou como provedor das empresas de trabalho temporário".

Louçã concluiu com um apelo à convergência das esquerdas, para construir "uma esquerda grande", determinada a combater a desigualdade e a exploração, uma esquerda "anticapitalista e socialista". Uma esquerda em que "todos aprendam para todos serem mais fortes". 

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