Antecedentes históricos dos paraísos fiscais criar PDF versão para impressão
21-Fev-2009
Nos últimos 20 anos duplicou o número de paraísos fiscaisÉ muito antiga a existência de áreas onde ou não se pagam impostos, ou se pagam a taxas muito baixas.
A partir dos anos 80 do século XX, essa tendência aumentou, acompanhando a globalização capitalista. Mais de metade dos países e territórios que são considerados paraísos fiscais, adquiriram essa característica nos últimos vinte anos. Os Estados Unidos e a Grã-Bretanha têm apoiado e fomentado a existência dessas áreas.

No século II (aC), a ilha de Delos na Grécia tornou-se uma área onde o comércio não pagava impostos, nem taxas, nem direitos aduaneiros. É o primeiro caso de paraíso fiscal conhecido na história.

Na Idade Média, diversas cidades e portos europeus tinham essa característica. Havia igualmente as feiras francas, onde não se pagava imposto no período da sua realização.

Nos finais do século XIX, os estados norte-americanos New Jersey e Delaware criaram o fenómeno "off-shore" para atrair empresas sediadas noutros estados e que naqueles estados teriam vantagens fiscais, desde que não se registassem lá.

Mas foi a Grã-Bretanha, nos anos 20 do século XX, que criou o conceito de "off-shore" estabelecendo uma diferença entre o local de registo da empresa e a obrigação de pagar impostos. Na mesma década, as Bahamas, a Suíça e o Luxemburgo criaram vantagens fiscais especiais para atrair estrangeiros. Nos anos 30, a Suíça desenvolveu igualmente o sigilo bancário.

A partir do final da segunda guerra mundial o número de paraísos fiscais tem vindo a crescer e multiplicou-se ainda mais a partir dos anos 80 do século passado, acompanhando a globalização e explorando o desenvolvimento dos meios de comunicação e da informática.

Para as empresas transnacionais e os donos das grandes fortunas, a existência de paraísos fiscais ganhou grande atracção para fugir ao pagamento de impostos. Mas para além da evasão fiscal essas áreas tornam-se igualmente fundamentais para o branqueamento de capitais e a corrupção. São territórios onde se perde o rasto do dinheiro, com as contas off-shore e o rigoroso sigilo bancário.

Os paraísos fiscais cresceram de tal forma que, por exemplo, as ilhas Caimão, tão referenciadas recentemente em Portugal, se tornaram um centro financeiro mundial. Sendo um pequeno território britânico com apenas 40.000 habitantes, lá estão sediados 600 bancos, 500 companhias de seguros e 25.000 trusts.

{easycomments}

 
< Artigo anterior   Artigo seguinte >
tit_todosdosiers.png
© 2019 Esquerda.Net
Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.