Louçã ironiza ataques de Sócrates ao Bloco de Esquerda criar PDF versão para impressão
28-Fev-2009
A festa no almoço dos 10 anos do Bloco. Foto de Paulete MatosFrancisco Louçã agradeceu directamente ao primeiro-ministro José Sócrates por ter escolhido o Bloco de Esquerda como alvo dos seus ataques. Louçã falava para as cerca de 400 pessoas que encheram o mercado da Ribeira, em Lisboa, na primeira iniciativa de comemoração do 10º aniversário do partido.
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"Quem imaginaria há 10 anos que este movimento teria a força para se tornar no tema central do congresso do partido mais poderoso", observou Francisco Louçã, acrescentando que o Bloco incomoda o primeiro-ministro "pela coerência de uma esquerda de que nos orgulhamos".

Referindo-se ao Congresso do Partido Socialista, o coordenador da Bloco de Esquerda destacou a unanimidade que reina naquele evento, ao qual não compareceu Manuel Alegre. "Mas é uma unanimidade onde não cabem os desempregados, os utentes do SNS, não cabe a maioria do povo de esquerda - e é isso que desespera o congresso unanimista", disse Louçã.

Numa alusão às acusações de António Costa de que o Bloco de Equerda é "parasita", Francisco Louçã devolveu as críticas, dando como exemplo o caso do empresário Manuel Fino que fez recentemente um negócio com a Caixa Geral de Depósitos, vendendo acções da Cimpor por um valor 25% superior ao do mercado, obtendo o empresário um lucro de 62 milhões de euros.

"Afinal quem são os parasitas? Manuel Fino devolveu os 62 milhões? O governo pediu a devolução?", questionou Louçã, acusando o primeiro-ministro de actuar nesta questão "por convicção, e não por táctica política". O coordenador do Bloco fez ainda uma breve alusão às próximas eleições legislativas, considerando que essa será a ocasião para votar sobre as indecências deste país."Estamos preparados", assegurou.

Antes falara o eurodeputado Miguel Portas, que recordou o dia da assembleia fundadora do Bloco de Esquerda, considerando que, depois do 25 de Abril de 1974, esse foi um dos melhores dias da sua vida. "A decisão de fundar o Bloco foi uma decisão atrevida, queríamos acabar com o rotativismo ao centro na política", considerando que esse rotativismo ainda manda, mas agora existe a força e a alternativa do Bloco de Esquerda.

Fernando Rosas, que também discursou, deu razão àqueles que no Congresso do PS tomam o Bloco como o inimigo principal. Nos últimos dez anos, disse Rosas, "inventámos um novo tipo de partido-movimento, anticapitalista, que não cedeu à chantagem do 'fim da história', às pressões do pensamento único, não se afastou do compromisso que temos com a classe trabalhadora".

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