Miguel Portas: está nos offshores o dinheiro para financiar a Europa Social criar PDF versão para impressão
03-Mar-2009
Miguel Portas discursando. À direita, de pé, o mandatário Fernando Nobre. Foto de Paulete MatosNa apresentação da candidatura às eleições europeias do Bloco de Esquerda, o cabeça de lista Miguel Portas disse que "chegou a hora da esquerda, porque é a esquerda que transforma o protesto em proposta", adiantando medidas para combater a crise: "Não nos digam que não há dinheiro para financiar a Europa Social. Basta ir buscá-lo aos offshores e à taxação das transacções em bolsa, penalizando duramente a especulação." Veja mais fotografias no FlickR do Bloco de Esquerda O primeiro orador foi o médico Fernando Nobre, presidente da Associação Médica Internacional (AMI), mandatário da candidatura. Falaram em seguida Ulisses Garrido, da direcção da CGTP, que manifestou o seu apoio à candidatura, Marisa Matias e Rui Tavares, respectivamente 2ª e 3º candidatos.

O tema dos offshores esteve muito presente no discurso de Miguel Portas, na tarde de segunda-feira, no teatro São Luís em Lisboa. O eurodeputado lembrou que no dia anterior, o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, reconhecera que "estaríamos bem melhores" sem offshores, para logo acrescentar que o da Madeira, nem é tão mau porque, disse o ministro, obedece a regras e é supervisionado.

"Supervisionado! Tenham caridade!", ironizou o eurodeputado do Bloco. E recordou que por duas vezes, o Partido Socialista recusou na Assembleia da República uma proposta do Bloco para o registo de todos os movimentos de capitais para o exterior. "Para que, pelo menos, se possa seguir o rastro do dinheiro. Não o aceitaram em Portugal, como esperam consegui-lo na Europa?", questionou Miguel Portas. "Não insultem a nossa inteligência. Com o que hoje sabemos do BCP, BPN e do BPP, como é que alguém pode falar de supervisão em Portugal?", disse Miguel Portas.

O cabeça-de-lista do Bloco lembrou mais uma vez o episódio de Manuel Fino e da Caixa Geral de Depósitos para exemplificar a falta de supervisão:

"Como se pode falar de supervisão ou, vá lá, de cultura de supervisão, quando o governo, que é accionista em nosso nome na caixa Geral de Depósitos, acha que esta faz muito bem em financiar especuladores para tomarem posições na concorrência e em seguida, ante a desvalorização desses títulos, entende que parte deles deve ser readquirida a preços acima do que valem?"

Miguel Portas respondeu ainda às acusações, vindas do Congresso do Partido Socialista, de que o Bloco é um partido de protesto. "Como não, quando vemos os de baixo sem defesa e os de cima perdoados e protegidos? Claro que nos dirigimos aos descontentes. O descontentamento é prova de inteligência. Indigente é o contentamento ou a indiferença."

Mas, para Miguel Portas, o Bloco é a esquerda que transforma o protesto em proposta. E adiantou algumas:

- Um orçamento europeu que aposte na complementaridade dos serviços de protecção social existentes ao nível de cada Estado e que instaure o princípio do rendimento mínimo em toda a Europa.

- Políticas industriais e de investimento europeu na educação, na cultura e na saúde.

- Políticas europeias de investigação e de ambiente mais fortes do que as temos.

- Absoluta prioridade à luta contra a pobreza e o desemprego.

Para financiar estas propostas, ir buscar o dinheiro aos offshores e à taxação das transacções em bolsa, penalizando duramente a especulação, e emissão de dívida pública europeia, junto com o combate à evasão ao IVA intra-comunitário, que o Tribunal de Contas europeu estima em 1 por cento da riqueza produzida na União.

"Candidatamo-nos porque somos europeístas mas não somos nem queremos ser eurocratas", explicou, por seu lado, Marisa Matias. "Porque acreditamos que é possível e urgente um projecto europeu socialista e de esquerda que responda com mais democracia às fragilidades e tibiezas demonstradas pela União Europeia."

O tema da ausência de democracia na forma como têm sido conduzidos os destinos da União Europeia esteve muito presente no discurso de Rui Tavares. "Não serve adiar a democracia para depois do próximo tratado, depois da próxima negociação, depois da próxima jogada de bastidores. É preciso mais do que pensar em fazer a futura democracia europeia. É preciso fazê-la. É preciso estar a fazê-la já, aqui e agora."

Leia também:

Texto de Rui Tavares explicando a sua decisão de aceitar a candidatura pelo Bloco de Esquerda

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