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13-Fev-2009
Uri AvneryVamos tapar o nariz e votar. Se necessário, vamos tomar algum remédio contra as náuseas. Se todos eles são maus, vamos olhar para o mal menor. [escrito antes das eleições de Israel]


Tenho algumas boas notícias e algumas más notícias", diz o sargento, na anedota, aos seus homens. "A boa notícia é que vão mudar as vossas meias sujas. A má notícia é que vão trocá-las entre si."

Não sou a única pessoa que se lembrou desta antiga anedota do exército britânico no contexto das actuais eleições.

Somos confrontados por uma série de políticos lastimáveis, alguns deles fracassos documentados e outros completamente livres de quaisquer conquistas passadas. Não há nenhuma discussão significativa entre eles sobre as questões básicas. Nenhum dos principais concorrentes oferece soluções reais para os nossos problemas básicos. As diferenças entre eles não são visíveis sem uma lupa.

A reacção instintiva: "Para o inferno com eles. Não vamos votar! "

Mas isso é infantil. Não podemos dar-nos ao luxo de não votar, ou votar nulo por despeito, ou como um protesto. Mesmo que as diferenças sejam minúsculas - podem revelar-se importantes.

Portanto, vamos tapar o nariz e votar. Se necessário, vamos tomar algum remédio contra as náuseas. Se todos eles são maus, vamos olhar para o mal menor.

* * *

Para mim, o maior mal é Binyamin ("Bibi") Netanyahu [1].

Se ele receber um voto mais que os seus rivais, o presidente irá confiar-lhe a tarefa de formar o próximo governo. Netanyahu já se comprometeu a convidar Avigdor Liberman[2], o aluno do fascista Meir Kahane[3], como seu primeiro parceiro, bem como o Shas[4] que agora se tornou num partido de extrema-direita. Talvez ele queira a "União Nacional"[5], que é ainda mais extremista, e os restos do Partido Nacional Religioso[6], juntamente com os Ortodoxos.

Se este for o núcleo da próxima coligação, teremos um governo radicalmente nacionalista e racista, um governo que irá rejeitar liminarmente qualquer possibilidade de acabar com a ocupação, de criar um Estado palestiniano e de evacuar os colonatos.

Depois disto, Netanyahu poderá convidar o Kadima[7] e os trabalhistas[8], mas isso já não interessará mais. Uma vez que seja capaz de criar um governo sem eles, ele vai tê-los por nada. Num tal governo, a sua única função será a de servir, como as folhas de figo, de camuflagem para os americanos.

É preciso lembrar que também viriam com Netanyahu tipos como Limor Livnat[9], Benny Begin[10] e Bogie Yaalon[11].

Há quem tenha uma ideia maquiavélica: deixar o Likud chegar ao poder. Dessa forma, todo o mundo vai ver a verdadeira face de Israel e boicotá-lo. O governo cairá, e podemos começar tudo de novo.

Desculpem, mas para mim é também uma aposta arriscada. Eu não estou disposto a brincar com o futuro de Israel. Para usar uma velha frase feita: Eu não tenho outro país.

Alguns tentam animar-nos com um outro pensamento: Netanyahu é uma pessoa fraca. Se os americanos exercerem pressão sobre ele, desiste. No final, fará tudo o que Obama lhe disser para fazer.
Não tenho tanta certeza. Também não estou disposto a apostar nessa. Os seus parceiros não vão deixá-lo submeter-se. Para mim, a primeira decisão é: Não a Netanyahu.

* * *

Tzipi Livni tem uma enorme vantagem: ela não é Bibi.

Pode parecer que esta é também a sua única vantagem.

Neste momento, ela é a única pessoa que poderia - talvez, talvez - bloquear o caminho para uma coligação liderada pelo Likud. Para muitos, essa é uma razão suficiente para votar a favor dela.

Existe algum outro motivo? Difícil de ver um. Ela podia ter subido acima das tenebrosas águas e apresentado uma mensagem clara e focada: a paz com o povo palestino e o mundo árabe. Isto teria-la diferenciado de Netanyahu e também de Ehud Barak, dando-lhe o estatuto de estadista. Teria transformado as eleições num referendo sobre a guerra e a paz.

Ela perdeu essa oportunidade. Tal como todos os outros candidatos, tem medo da palavra "paz". Os seus assessores provavelmente advertiram-na de que as acções da paz na bolsa de valores da opinião pública estão em baixa.

Se ela fosse uma verdadeira líder, se a paz lhe estivesse a queimar os ossos (como dizemos em hebraico), ela teria ignorado o conselho e levantar-se-ia como uma mulher de princípios.
Em vez disso, está a tentar ser mais "macho" do que todos os machos, "o único homem no Governo".
Ela grita aos céus contra qualquer diálogo com o Hamas. Opõe-se a um cessar-fogo mutuamente acordado. Tenta competir com Netanyahu e Liberman com desenfreadas mensagens nacionalistas.

Isso é mau. Também é estúpido. Alguém que está à procura de um homem não vai votar a favor de uma mulher. Alguém que anseia por um brutal senhor da guerra não vai votar a favor de uma fêmea civil que, nas palavras de Ehud Barak, "nunca segurou uma espingarda nas suas mãos".

Foi um teste de liderança. E Tzipi reprovou.

É verdade, aqui e ali, ela manifestou algumas ideias vagas sobre "dois Estados-nação", mas em todos os seus anos de mandato ela não deu o mais pequeno passo nessa direcção.

Portanto, não há razão para votar nela, com uma excepção: se ela tiver um voto a mais que Netanyahu, o presidente vai chamá-la para tentar formar um governo. Esse governo vai certamente incluir Netanyahu, e provavelmente também Liberman. No entanto, será diferente de um governo liderado por Netanyahu. Sob forte pressão americana, poderá talvez até mesmo avançar para a paz.

* * *

Não posso votar em Ehud Barak. Mesmo que a minha cabeça o queira, a minha mão não iria obedecer.
A desumana guerra de Gaza foi um reflexo do carácter desumano do próprio Barak. Ele travou a guerra como parte da sua campanha eleitoral. Quando os manifestantes anti-guerra marcharam pelas ruas de Telavive e gritaram: "Não compre votos / com o sangue dos bebés" eles não estavam assim tão longe da realidade.

Como Netanyahu, Ehud Barak é um fracasso documentado. Eu estava entre as massas que comemoraram o seu triunfo na Praça Rabin, em 1999, quando foi eleito primeiro-ministro, e, quase um ano mais tarde, suspirava de alívio quando o seu governo ruiu. No seu curto mandato, ele convocou a conferência de Camp David e sabotou-a, espalhando o veneno e a falsidade da mantra "Não temos parceiros para a paz", provocando a segunda Intifada e destruindo, de dentro, o campo da paz.

Contrariamente a Livni, Ehud Barak nem sequer pretende ter uma perspectiva de paz. Ele só vê diante de si uma paisagem de intermináveis cordilheiras de guerra, montanha após montanha, esticando bem para além do horizonte.

Ao contrário das listas do Kadima e do Likud, a lista eleitoral do Partido do Trabalho inclui algumas boas pessoas. Mas estes não terão nenhuma influência nas coisas que se avizinham. Efectivamente, é um homem-lista, e esse homem está profundamente viciado.

Por um momento, parecia que o Meretz[12] se iria transformar em algo maior. Eles incluíram na sua lista algumas pessoas novas e atractivas. Homens de letras recomendam-nos calorosamente.

E então algo aconteceu com eles, a mesma coisa que aconteceu na última vez.

Uma guerra eclodiu, e o Meretz apoiou-a entusiasticamente.

Os seus três mosqueteiros literários - Amos Oz[13], A.B. Yehoshua[14] e David Grossman[15] - saíram do seu caminho para apelar à guerra louvando-a, cada um de sua vez.

Exactamente como haviam feito na Segunda Guerra do Líbano.

É verdade que, após alguns dias, os três - juntamente com o Meretz e o Paz Agora[16] - apelaram para o fim do ataque.

Esse apelo não foi acompanhado por um pedido de desculpas pela anterior. Isto mostrou um monte de Chutzpa (insolência).

Após ajudarem a romper a barragem, achavam que poderiam interromper a inundação com os dedos. Mas depois de terem legitimado as atrocidades da guerra, ninguém os ouvia mais. Cada mulher e cada criança que foi morta nessa guerra, até ao último dia, deverá pesar sobre a sua consciência.

Evidentemente, alguns dirão: você não vota para castigar e vingar-se. Apesar do crime, temos de votar a favor do Meretz, porque entre os partidos "sionistas" são o mal menor. Eles falam sobre a paz e a justiça social, e alguns de seus representantes, como Shulamit Aloni[17] e Yossi Sarid[18], fizeram um bom trabalho no governo Rabin. O Meretz também fez um bom trabalho parlamentar para as causas justas.

* * *

Outra coisa bem diferente é o problema colocado pelos três partidos designados por "árabes", um dos quais é o comunista Hadash [19], que tem um pequena componente judia.

O programa do Hadash está mais perto do consistente campo da paz do que qualquer outro. Alguns diriam: Isso é suficientemente perto. Eu voto de acordo com as minhas convicções, e não com base em considerações tácticas. O Hadash também deve ser creditado por fazer avançar algumas causas positivas no Knesset.

O problema das listas "árabes"[20] é que elas não conseguiram desempenhar um papel significativo na arena política, que se manteve como um domínio feudal exclusivo dos partidos "sionistas" ("sionista" neste contexto, significa "não-árabes").

A fim de penetrar no campo judeu, Hadash poderia ter colocado na cabeça da sua lista, ou pelo menos em segundo lugar, Dov Khenin[21], que subiu ao estrelato em Telavive nas recentes eleições autárquicas. Ao não fazê-lo, perderam, pelo menos, alguns dos votos que poderiam ter desviado do Meretz e do Trabalhista.

O impacto dos partidos "árabes" na política israelita é próximo a zero. É limitado a um ponto no tempo: no dia após as eleições, a questão colocar-se-á quando todos os partidos de centro/esquerda em conjunto, do Kadima para a esquerda, podem reunir votos suficientes para bloquear um governo de direita. Neste contexto, e só aí, os partidos "árabes" desempenham um papel.

* * *

Resta o fenómeno Liberman.

Liberman criou um partido que é simples e profundamente racista. A sua campanha eleitoral está centrada na exigência da anulação da cidadania israelita a pessoas "não-leais". Significado: os árabes, que constituem 20% dos cidadãos de Israel.

Em qualquer outro país, o programa de Liberman seria chamado fascista, sem aspas. Em parte alguma do mundo ocidental existe um grande partido que se atreva a fazer avançar tal exigência.
Os neo-fascistas na Suíça e na Holanda querem expulsar os estrangeiros, mas não a anulação da cidadania dos que lá nasceram.

O núcleo do partido é composto por imigrantes da antiga União Soviética, muitos dos quais trouxeram da sua pátria um desprezo absoluto pela democracia, o desejo de um líder forte (um Estaline ou um Putin), uma atitude racista para com os cidadãos de pele castanha e um gosto pelo brutal, estilo Chechénia.

A eles vieram agora juntar-se jovens, nativos israelitas, que se têm radicalizado face à recente guerra.

Quando Joerg Haider integrou o governo austríaco, Israel chamou o seu embaixador em Viena, como protesto. Mas, em comparação com Liberman, Haider foi um desvario liberal, e assim é Jean-Marie Le Pen. Agora Netanyahu anunciou que Liberman será "um importante ministro" no seu governo, Livni tem que entender que ele estará no seu governo, também, e que Barak não excluiu essa possibilidade.

A versão optimista diz que Liberman irá revelar-se como uma curiosidade passageira.

Todas as campanhas eleitorais israelitas têm-se caracterizado pelo aparecimento de um partido que reflecte uma moda passageira, consegue um estrondoso sucesso e depois desaparece.

Em 1977, foi o partido Dash, que montava o cavalo de "mudar o sistema". Ganhou 12,5% dos votos, mais tarde quebrou e desapareceu antes das eleições seguintes. Mais tarde, foi o partido Tzomet de Rafael Eitan, sobre o cavalo da incorrupta pureza. Outro foi o partido Shinui (Mudança), que andava a cavalo no ódio anti-religioso e que desapareceu sem deixar rasto.

Nas últimas eleições foi a lista dos reformados[22], com dezenas de milhares de jovens a votarem nela por brincadeira.

Nas actuais eleições, o partido de Liberman capturou a tendência, cavalgando sobre as primitivas emoções das massas que perderam a liberdade na Guerra de Gaza.

Existe também uma versão pessimista: O fascismo tornou-se um sério jogador no domínio público israelita. Os três principais partidos têm-no legitimado. Este fenómeno deve ser interrompido antes que seja tarde demais.

* * *

Então, como votarei na próxima terça-feira?

Tenho a intenção de elaborar uma lista que terá início a partir do pior para o menos mau. O último na lista terá o meu voto.


Notas:
[1] Binyamin ("Bibi") Netanyahu, nascido em Telavive, em 21 de Outubro de 1949, Foi Primeiro-Ministro e é o Presidente do partido conservador Likud, na oposição.

[2] Avigdor Liberman, nasceu em Kishinev, então União Soviética, hoje Moldavia, emigrando para Israel em 1978. Tendo militado no Kadima abandonou-o por não concordar com o "Plano de Desocupação" de Ariel Sharon. Líder do partido de extrema-direita Israel Beitenu. Em Outubro de 2006 assinou um acordo de coligação com Ehud Olmert, tendo sido nomeado vice-primeiro-ministro e Ministro dos Negócios Estratégicos. Abandonou o governo em ruptura, em Janeiro de 2008.

[3] Rabi Meir David Kahane, (1de Agosto de 1932-5 de Novembro de 1990), um rabi ortodoxo israelo- americano, conhecido pelas suas ideias nacionalistas, baseadas no conceito do "Grande Israel". Fundador do partido nacionalista Kach, e por ele eleito para o Knesset. Em 1986 o Kach foi declarado como um partido racista pelo Governo de Israel e assim Kahane banido do Knesset. Acrescente-se que depois do massacre da Caverna dos Patriarcas, em 1994, - um massacre de árabes, incluindo crianças, enquanto rezavam, por Baruch Goldstein, um activista do Kach - o movimento foi declarado fora da lei.

[4] Shas "Associação dos Sefarditas Jasídicos do Mundo" é um partido representando os sefarditas ortodoxos. Tem vindo a assumir posições de extrema-direita Nas últimas eleições para o Knesset, 2006, posicionou-se como a terceira força política obtendo 12 lugares. Está no governo de coligação de Ehud Olmert, juntamente com o Kadima, Partido Trabalhista, Gil e entre Outubro 2006 e Janeiro de 2008, com o Yisrael Beiteinu. O seu líder, Yishai, é vice-primeiro-ministro e ministro da Indústria, Comércio e Trabalho; Ariel Atias é Ministro das comunicações; Meshulam Nahari e Yitzhack Cohen são Ministros sem Pasta.

[5] "União Nacional" é um partido político israelita da direita radical, nacionalista, e sionista que reflecte a aliança política entre os agrupamentos Moledet, Tzkuma e o Partido Nacional Religioso Sionista (resultante de uma cisão do Partido Nacional Religioso). Nas últimas eleições para o Knesset, 2006, posicionou-se, em aliança com o Partido Nacional Religioso como a sexta força política obtendo 9 lugares, distribuídos na proporção de 6-3.

[6] O Partido Nacional Religioso, ou MAFDAL, segundo o acrónimo hebreu, é resultante da fusão, em 1956, do Mizrahi (criado em 1902, com o objectivo de "rejudaizar" o sionismo, no sentido religioso, mas também de contribuir para a colonização judia da Palestina) e do Hapoel Hamizrahi (criado em 1922, em contraponto com as ideologias de esquerda dominantes na altura, como um ramo "operário" do Mizrahi com o objectivo de unir no sionismo, a prática religiosa e uma ideologia de progresso social). Nas últimas eleições para o Knesset, 2006, posicionou-se, em aliança com a "União Nacional" como a sexta força política que obtendo 9 lugares, distribuídos na proporção de 3-6.

[7] O Kadima é um partido político israelita de ideologia centrista, liberal e sionista. Durante a Guerra de Gaza radicalizou a sua posição concorrendo com a extrema-direita. Foi fundado por Ariel Sharon, depois de abandonar o Likud, em 21 de Novembro de 2005. Nas últimas eleições para o Knesset, 2006, posicionou-se, como a primeira força política obtendo 29 lugares.
Destacam-se entre os seus membros, Ehud Olmert, Primeiro-ministro (demissionário); Tzipi Livni, Presidente do Kadima, Ministra dos Negócios Estrangeiros, e candidata a Primeiro-Ministro nas próximas eleições; Shimon Peres, Presidente de Israel; Dalia Itzik, Presidente do Knesset; Shaul Mofaz, Ministro dos Transportes.

[8] O Partido Trabalhista de Israel representa a esquerda moderada, de orientação social-democrata e sionista. No entanto, durante a Guerra de Gaza radicalizou a sua posição concorrendo, nas suas posições, com a extrema-direita, muito por responsabilidade do seu Presidente e Ministro da Defesa, Ehud Barack. É membro da Internacional Socialista. Nas últimas eleições para o Knesset, 2006, posicionou-se, como a segunda força política obtendo 20 lugares.

[9] Limor Livnat, nasceu em Haifa em 22 de Setembro de 1950, conservadora de direita, pertence ao Likud e é membro do Knesset. Opôs-se aos acordos de Oslo e revelou preocupações quanto ao Road Map de Bush.

[10] Ze'ev Binyamin (Benny) Begin, nasceu em 1 de Março de 1943, em Telavive. É geólogo e político. Membro do Likud, em 1993 foi derrotado nas primárias para a liderança do partido, na sucessão de Isaac Shulamit, por Benjamim Netanyahu.
Em 1997, quando era Ministro da Ciência, de um Governo de Netanyahu, resignou por discordar dos Acordos de Hebron, que visavam a reorganização das Forças Israelitas nessa área.
Assim abandonou o Likud, levando consigo a linha dura, com a esperança de fazer renascer o Herut - Movimento Nacional fundado por seu pai Menachem Begin. Com total apoio do ex-ministro Yitzhac Shamir, afastou o Likud e juntou outros partidos da direita numa aliança contra os Acordos de Oslo, a "União Nacional" e concorreu às eleições de 1999, onde ganhou apenas 4 lugares. Face aos resultados Begin demitiu-se e abandonou a política ... até que a 2 de Novembro de 2008 anunciou o seu regresso ao Likud e que iria concorrer nas eleições de 2009.
A 29 de Dezembro de 2008, numa entrevista a Arit Shavit, do Haaretz, explicou a sua oposição a um Estado palestino propondo antes a sua autonomia sob controlo israelita.

[11] Moshe "Bogie" Ya'alon nasceu em 24 de Junho de 1950, ex-Chefe do Estado Maior das Forças de Defesa de Israel e político. Ya'alon é conhecido pelas suas controversas declarações, como a que fez ao Haaretz em 27 de Agosto de 2002:
"A ameaça palestina abriga atributos parecidos com o cancro que têm de ser cortados. Existem soluções para todos os tipos de câncer. Alguns dizem que é necessário amputar órgãos, mas no momento estou aplicando quimioterapia."

[12] Meretz ou Meretz-Yajad é um partido de esquerda com representação no Knesset. É de tendência social-democrata, sionista-socialista e pacifista. Nas últimas eleições para o Knesset, 2006, posicionou-se, como a nona força política obtendo 5 lugares.
Entre os seus activistas mais importantes conta-se com Zehava Gal-On, membro do Knesset e membro activo de várias organizações de direitos humanos, é ainda directora do Centro Internacional para a Paz no Médio Oriente.

[13] Amos Oz, nasceu em Jerusalém, a 4 de Maio de 1939,escritor e co-fundador do movimento pacifista israelita Paz Agora.
(N.B.: Iremos tratar aqui apenas do seu perfil político.)
Amo Oz é um dos mais influentes e considerados intelectuais israelitas. Oz foi um dos primeiros israelitas a defender a solução de "dois-Estados" para resolver o conflito israelo-palestino depois da Guerra dos Seis Dias. Fê-lo em 1967 um artigo "Terra de nossos antepassados", no jornal DAVAR (Trabalho). "Uma ocupação, mesmo inevitável, é uma ocupação corruptora", escreveu.
Em 1978, foi um dos fundadores do movimento pacifista "Paz Agora". Ao contrário de muitos outros no movimento de paz israelita, ele não se opõe à construção de uma barreira israelita na Cisjordânia, (o muro) mas considera que deve ser sensivelmente ao longo da Linha Verde, a fronteira pré-1967. Opôs-se aos colonatos desde o primeiro momento e foi um dos primeiros a elogiar os Acordos de Oslo e de conversações com a OLP.
Nos seus discursos e ensaios frequentemente ataca a esquerda não-sionista, até ao ponto da auto-abnegação como ele diz, e sempre enfatiza a sua identidade sionista.
É identificado por muitos observadores de direita como o mais eloquente porta-voz da esquerda sionista.
"Duas guerras israelo-palestinas irromperam nesta região. Uma é a guerra do povo palestino para se libertar da ocupação e pelo seu direito à independência. Qualquer pessoa decente deveria apoiar esta causa. A segunda guerra é travada pelos fanáticos do Islão, do Irão a Gaza e do Líbano a Ramallah, para destruir Israel e conduzir os judeus para fora das suas terras. Qualquer pessoa decente deveria abominar esta causa. "(7 de Abril de 2002)
Durante muitos anos Oz foi identificado com o Partido Trabalhista. Na década de 90 Oz retirou o seu apoio ao Partido Trabalhista, saindo pela esquerda e aderindo ao Meretz. Nos últimos anos, descreveu o Partido Trabalhista como um partido que "na minha opinião praticamente não existe mais".
Nas eleições para o décimo sexto Knesset, que teve lugar em 2003, Oz apareceu na campanha de televisão do Meretz, apelando ao voto no Meretz.
Em Julho de 2006, Oz apoiou o exército israelita, na guerra do Líbano, escrevendo no Los Angeles Times: "Muitas vezes no passado, o movimento da paz israelita tem criticado as operações militares israelitas. Não desta vez. Desta vez, a batalha não é sobre a expansão e colonização israelitas. Não há território libanês ocupado por Israel. Não há reivindicações territoriais de ambos os lados ... O movimento da paz israelita deverá apoiar Israel na tentativa de auto-defesa, pura e simples, enquanto esta operação tenha por alvo o Hezbollah e poupe, tanto quanto possível, as vidas de civis libaneses.
Como os romancistas israelitas David Grossman e A.B. Yehoshua, Amos Oz mudou a sua posição (de inequívoco apoio a um acto militar de auto-defesa, na eclosão da guerra), face à decisão do governo, numa fase posterior, de expandir as operações no Líbano. Grossman, numa conferência de imprensa, colocou em palavras esta visão partilhada afirmando que Israel já tinha esgotado o seu direito de auto-defesa.
Em 26 de Dezembro de 2008, um dia antes da ofensiva israelita em Gaza começar, Oz assinou uma declaração publicada como um anúncio no Yediot Aharonot apoiando a acção militar contra o Hamas em Gaza. Duas semanas mais tarde, num artigo no Yediot Aharonot Oz defendia um cessar-fogo com o Hamas, chamando a atenção para as terríveis condições em Gaza.

[14] Abraham B. ("Bulli") Yehoshua nasceu em 1936, é novelista, ensaísta e dramaturgo e um fervoroso e incansável activista do movimento israelita pela Paz, Yehoshua assistiu à assinatura do Acordo de Genebra, e expande livremente as suas opiniões políticas em ensaios e entrevistas. É um crítico de longa data da ocupação israelita, mas também dos palestinianos.
Ele e alguns outros intelectuais mobilizaram-se no apoio do partido Meretz pouco antes das eleições de 2009.

[15] David Grossman, nasceu em Jerusalém, a 25 de Janeiro de 1954, autor de ficção e não-ficção e de literatura infanto-juvenil. Grossman, é um activista da paz e é respeitado entre os anti-sionistas, tendo apoiado Israel durante 2006 no conflito com o Líbano. Em 10 de Agosto de 2006, porém, ele e os colegas autores Amos Oz e AB Yehoshua realizaram uma conferência de imprensa em que exortou o governo a concordar com um cessar-fogo que criaria a base para uma solução negociada.

[16] Paz agora é uma organização não governamental pacifista israelita fundada em 1978. Tem como missão influenciar a opinião pública e convencer o governo israelita da necessidade e possibilidade de uma paz justa e de uma reconciliação histórica com o povo palestino e com os países árabes vizinhos, baseada na fórmula terra pela paz. Um dos fundadores da organização é o escritor Amos Oz.

[17] Shulamit Aloni nasceu em 29 de Novembro de 1928, em Telavive é um político e um activista de esquerda e dos direitos humanos.
É um proeminente membro do campo da Paz israelita. Fundou o partido Ratz que mercê de alianças várias se veio a transformar no partido Meretz, de que foi líder.
Aloni está na direcção da organização Yesh Din, criada em 2005, e que é formada por voluntários que se organizaram para se opor às contínuas violações dos direitos humanos dos palestinos nos Territórios Ocupados da Palestina
Aloni defendeu o uso da palavra "apartheid" pelo Presidente Jimmy Carter no título do seu livro "Paz para a Palestina, não ao apartheid" Mais tarde Aloni declarou: "Eu odeio encobrir coisas que deveriam estar abertas ao Sol."

[18] Yossi Sarid nasceu em 24 de Outubro de 1940 é um comentador e um ex-político. Foi membro do Knesset pelo partido Meretz-Yachad até se retirar da política depois das eleições de 2006.

[19] O Hadash define-se como um partido Árabe-Judaico. A maioria dos seus votantes e dos seus líderes são árabes-israelitas, cidadãos de Israel. Tem três lugares no Knesset.
O partido apoia a evacuação de todos os colonatos israelitas, uma retirada completa por parte de Israel de todos os territórios ocupados, como resultado da Guerra-dos-seis-dias (1967), bem como o estabelecimento de um Estado palestiniano nesses territórios. Apoia ainda o direito de regresso ou indemnização para os refugiados palestinos. Para além das questões de paz e segurança, o Hadash também é conhecido por ser activo em questões sociais e ambientais.Hadash define-se como um partido não-sionista, inicialmente, em conformidade com a oposição marxista ao nacionalismo. Apela para o reconhecimento dos árabes palestinos como uma minoria nacional dentro de Israel.

[20] Lista Árabe Unida é um partido árabe-israelita com representação no Knesset - 4 lugares. Criado em 1996 é liderado actualmente por Ibrahim Sarsor, As suas principais propostas são: O fim da conquista e o estabelecimento de um Estado Palestino; O abandono das armas de destruição massiva; Uma lei que reconheça os árabes-israelitas como uma minoria nacional; Uma emenda à Lei do Regresso que assegure aos refugiados palestinos e aos seus descendentes a possibilidade de regressar.

[21] Dov Khenin nascido em 10 de Janeiro de 1958 é um cientista político, advogado e membro Knesset pelo partido Hadash. É membro do comité central do Maki (o Partido Comunista Israelita, e o maior grupo dentro do Hadash), um activista para a igualdade socioeconómica e um ambientalista.

[22] Gil ou Reformados de Israel à Assembleia é o partido dos reformados e pretende representar e defender os interesses das pessoas da terceira idade. Nas últimas eleições, de 2006, ganhou 7 lugares no Knesset. O seu líder é Rafi Eitan e os princípios políticos que defendem são: Proteger as pensões dos reformados, Melhorar os serviços de saúde gratuitos; Defender os valores tradicionais do judaísmo; Proteger os valores democráticos do Estado de Israel.

Tradução e notas do Blog Fórum Palestina

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