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17-Nov-2006
AQUECIMENTO GLOBAL, DADOS SÃO ALARMANTES
Efeitos de um furacãoO dossier desta semana do portal esquerda.net é sobre as alterações climáticas que afectam seriamente o planeta. Neste artigo é feita uma introdução ao tema, dois outros artigos abordam os efeitos globais e os efeitos em Portugal, outro trata das causas das grandes mudanças no clima. O protocolo de Quioto constituiu uma primeira resposta da comunidade internacional, num artigo avalia-se a evolução das respostas e noutro avalia-se os mecanismos de transacção de emissões de gases de efeito de estufa. O empenhamento da União Europeia na aplicação do protocolo e a situação de Portugal são igualmente abordados. Os textos são da autoria de Rita Calvário.
Em anteriores artigos noticiámos a cimeira de Nairobi, no início da cimeira e na apresentação de estudo da ONU. Em PodEsquerda 5 pode ouvir entrevistas a Viriato Sorormenho Marques, Filipe Soares Santos e Francisco Ferreira.

O clima do planeta está a mudar de forma acelerada e já não há lugar para dúvidas de que as actividades humanas têm um papel central no aquecimento global. Os efeitos do aquecimento global são tremendos e alguns deles já hoje se fazem sentir gravemente e poderão ter consequências a muito curto prazo.

A larga maioria da comunidade científica atesta esta relação directa e hoje assistimos já aos efeitos do aquecimento global: os glaciares estão a derreter e o nível médio do mar a subir, afectando as populações costeiras e ribeirinhas; as correntes marítimas e dos ventos alteram-se, influenciando as estações; os fenómenos climáticos extremos intensificam-se, como as tempestades, as secas e as ondas de calor, originando graves prejuízos humanos e económicos; são cada vez maiores as interferências no ciclo de vida dos animais e plantas, acelerando-se a perda de habitats e da biodiversidade e afectando a produção de alimentos; surgem novas doenças, reaparecem outras e aumentam as epidemias, ....

Se traduzirmos estes efeitos em custos para a economia, a linguagem perceptível para as instituições internacionais e nacionais que governam o mundo, eles são abismais.

O recente relatório Stern, encomendado pelo governo britânico, aponta cenários alarmantes, sobretudo para os países do Mediterrâneo, como Portugal, referindo-se às alterações climáticas como a maior falha de mercado de todos os tempos. E conclui que o aquecimento global, que será responsável por 200 milhões de refugiados ambientais e por tornar grandes áreas do mundo inabitáveis, trará custos superiores aos das duas guerras mundiais se nada for feito de imediato (entre 5 a 20% do PIB mundial). Traduzindo as previsões científicas em custos económicos, caso a inércia política perante o problema persista, o economista Nicholas Stern antecipa uma recessão económica mundial para as próximas décadas.

O estudo apresentado na 12ª Conferência da ONU (United Nations Framework Convention on Climate Change) sobre as Alterações Climáticas, em Nairobi (6 a 17 de Novembro site nairobi2006.go.ke) confirma este panorama: as ameaças climáticas podem custar mais de um bilião de dólares por ano daqui a 30 anos. A este respeito o sector dos seguros afirma que a elevação de 1ºC pode elevar os custos em 2 biliões de dólares para a economia mundial, sendo que em 2005 as perdas económicas com desastres naturais totalizaram 210 mil milhões de euros (só o furacão Katrina, nos E.U.A., custou mais de 120 mil milhões de dólares à economia).

Os dados são alarmantes e exigem uma resposta urgente, se queremos garantir condições de vida para a actual geração e a habitabilidade futura do Planeta.

 
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