Em tempo de crise, soluções precisam-se criar PDF versão para impressão
25-Fev-2009

António ChoraPortugal está em crise há mais de 800 anos, começou na tomada do trono por D. Afonso Henriques numa guerra contra a própria mãe, passou pela crise de 1385, pelo Sebastianismo, pelo sismo, o Republicanismo e o fascismo, continuou com o Gonçalvismo, estendeu-se com o Soarismo, agravou-se com o Cavaquismo, Guterrismo, Barrosismo, teve um período grave, curto e lírico com o Santanismo, e atingiu agora o auge da crise com o Sócratismo.

Hoje, a crise para além de nacional é global, o que a torna muito mais grave e perigosa para o povo em geral, e para os e as Trabalhadores em particular.

Para a enfrentar, nada é mais necessário do que juntar forças na busca nacional e global de soluções, e isso significa unir, não fechar e sectarizar, na política como no sindicalismo, foi isso que fez a Comissão de Trabalhadores da VW Autoeuropa na passada semana 7.

Na semana 3 deste ano, a Autoeuropa comunicou à CT os números de produção para o primeiro trimestre e com eles, 17 dias de paragem de produção, a redução diária da mesma e a dispensa de 254 trabalhadores temporários a laborar na empresa.

De imediato, a CT apresentou propostas que visavam uma solução, e que passavam pela manutenção dos números de produção originais no primeiro semestre, permitindo assim, o emprego para estes trabalhadores por mais uns tempos ate nova análise da produção.

Tal não foi aceite pela VW, o que levou a CT a imediatamente denunciar publicamente esta situação, mas porque temos por principio o agir e não o reagir (com o agitacionismo habitual nestas circunstancias, fruto de quem não tem soluções para além das denominadas por "chapa 5"), agimos junto da empresa, da ATEC (academia de formação) e do IEFP.

Da junção de todas estas entidades com a Comissão de Trabalhadores saiu uma solução que não evitando o desemprego oficialmente, criou as condições para que todos os interessados (e foram a esmagadora maioria dos 254), possam começar no próximo dia 2 de Março uma acção de formação para técnicos do sector automóvel e não só, que engloba uma carga horária de 7 horas com uma hora de refeição, num máximo de 16 meses (em função da formação de cada um) uma equivalência internacional de técnico de nível III e escolar do 12º ano.

Todos vão auferir o subsídio de desemprego, ou subsídio social de desemprego a que têm direito, acrescido de subsídios adicionais, e aqueles que não tinham ainda direito a qualquer subsídio, auferirão uma bolsa de formação, que com os respectivos subsídios de refeição e transporte ultrapassa o salário mínimo nacional.

Tal formação vai ter cargas horárias distintas, que se dividem desde línguas, informática, electricidade, hidráulica e pneumática, máquinas ferramentas CNC, pintura, montagem de peças e órgãos mecânicos e soldadura.

A Autoeuropa comprometeu-se perante estas pessoas, a logo que seja necessário admitir novos trabalhadores eles terão prioridade, a nossa luta, a luta da CT, será que face aos níveis de formação tais admissões sejam feitas directamente para a empresa.

Juntar forças tão diversas como as que juntámos para encontrar esta solução, só foi possível porque feita a análise objectiva da situação, foi possível encontrar propostas consensuais, concretas e rápidas de realizar, propostas cujo objectivo foi proporcionar a estas pessoas, porque é de pessoas que falam os números do desemprego, um melhor nível de empregabilidade no futuro, logo do nível de vida. Não foi fácil, mas provou-se ser possível.

António Chora, Coordenador da CT da Autoeuropa

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