Desemprego – Estaremos condenados a esta tendência crónica? criar PDF versão para impressão
25-Fev-2009

Mariana AivecaEm Fevereiro de 2006, afirmava convicto Viera da Silva quando confrontado com os números do desemprego" É um momento não é uma tendência"...

 

Hoje, e perante uma situação em que num só mês se inscreveram nos centros de emprego mais de setenta mil pessoas, números avassaladores que são os segundos maiores dos últimos trinta anos, é Vitalino Canas porta-voz do PS e provedor do trabalho temporário, que nos vem dizer que " Estes números mostram uma tendência para o agravamento do desemprego que já estava prevista pelo Governo".

Ora, é exactamente sobre essa tendência que afinal não era um momento, que importa reflectir mais profundamente.

A justificação, que sucessivamente os governantes utilizam, de que a origem da actual situação do desemprego é fruto da crise internacional do capitalismo não passa duma trapaça, que pretende escamotear os seus problemas de fundo, de modelo claro está.

A verdade é que já havia em Portugal uma crise no emprego antes da queda das bolsas, tal crise era até considerada por Sócrates quando era oposição "Como o resultado do falhanço das políticas de governação".

A verdade é que nas últimas duas décadas, as políticas que se desenvolveram tiveram por base a eliminação das garantias sociais, os baixos salários, o alargamento dos horários e a introdução dos bancos de horas, os empregos cada vez mais precários.

Tudo em nome da competitividade e da auto regulação dos mercados como se de zonas francas se tratassem, tudo para a economia funcionar, desresponsabilizou-se cada vez mais o Estado e, foram estas políticas que originaram a economia de casino e contribuíram para engordar banqueiros e para a "offshorização" da política.

Estas são em minha opinião as origens deste estado de coisas. As políticas neoliberais que, não obstante o abalo que sofreram com esta crise económica, estão longe de ter chegado ao fim.

Não podemos aceitar esta chocante situação em que, à medida que o desemprego sobe a protecção no desemprego encolhe.

Não aceitar esta tendência crónica passa pelas exigências de: Revogar o código do trabalho que promove o desemprego e a precariedade; alargar a protecção no desemprego; aumentar as pensões; alargar o papel do Estado nas suas funções, qualificando recursos e direccionando o investimento público para fins reprodutivos.

As escolhas têm que ser claras e a política tem que determinar a economia. Se assim não for, continuar-se-á a acrescentar, cada vez mais crise à crise social em que vivem mais de meio milhão de pessoas em Portugal.

Mariana Aiveca

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