Efeitos das alterações climáticas criar PDF versão para impressão
17-Nov-2006
SECAS SEVERAS EM PORTUGAL
Secas severasAs regiões mediterrânicas são as mais vulneráveis às alterações climáticas na Europa.
Nos últimos 30 anos a temperatura em Portugal tem aumentado a um ritmo de 0.4 a 0.5ºC por década. A amplitude térmica diária tem vindo a decrescer, acompanhadas por um aumento da frequência de secas severas e redução da duração da estação chuvosa, particularmente nas regiões do Sul do país, prevendo-se um aumento substancial do risco de incêndios.

As regiões mediterrânicas serão as mais vulneráveis às alterações climáticas. Caso se cumpram as piores previsões, em 2080, entre 14 a 38% da população destes países viverá em lugares com escassez de água, que serão agravadas pelo regadio e o turismo. Uma das zonas mais afectadas será a Península Ibérica, devido a uma redução da precipitação e, fundamentalmente, à sua redução ao longo das estações (estudo do Instituto de Investigação do Impacto Climático de Postdam).

O turismo também será afectado na bacia mediterrânica, estimando-se que se a tendência de consumo de combustíveis se mantiver, em 2050, Portugal e outros, terão de reconverter a sua industria turística pois as temperaturas no Verão serão demasiado altas e incompatíveis com o actual modelo de férias. Todos os anos, 116 milhões de turistas da Europa do Norte descem à costa europeia da bacia mediterrânica.

Efeitos em Portugal:

As características naturais do país tornam-no vulnerável às alterações climáticas. Por um lado, porque tem uma enorme linha de costa, onde se concentra a maior parte da população; por outro, porque se encontra na transição de dois sistemas climáticos (Atlântico e Mediterrâneo). A variabilidade do clima terá impacto na agricultura, turismo e industria, e pode envolver mesmo a deslocação de um número significativo de pessoas.

Nos últimos 30 anos a temperatura tem aumentado a um ritmo de 0.4 a 0.5ºC por década, o que resultou em mais de 1.2 a 1.5ºC desde os anos 70. A este ritmo a temperatura média em Portugal aumentará 5ºC durante o próximo século.

Cerca de 1500 portugueses poderão morrer devido ao calor em 2020, 3 vezes mais do que no período entre 1980 e 1998, revela um estudo da OMS.

Segundo dados do Instituto de Meteorologia, em Portugal, no período de 1980-2000, houve um acréscimo de temperatura da água do mar na ordem dos 0.05ºC/ano.

A amplitude térmica diária tem vindo a decrescer, acompanhadas por um aumento da frequência de secas severas (atravessando o país em 2005 o quarto período de seca desde 1991) e redução da duração da estação chuvosa, particularmente nas regiões do Sul do país, prevendo-se um aumento substancial do risco meteorológico de incêndio. Por exemplo, a precipitação média no mês de Março é actualmente cerca de 27% inferior à que ocorria no início do séc. XX, sendo a temperatura atmosférica anual 0.74ºC superior.

As previsões para Portugal apontam para uma subida do nível médio do mar entre 25 a 110 cm até 2100: se assim for, 67% do litoral estará em risco de erosão. Até ao final do século, poderá atingir valores na ordem do meio metro. Os impactos mais relevantes serão o risco de inundação, a deslocação de zonas húmidas e a aceleração da erosão da zona costeira. Zonas lagunares, como as de Aveiro a da Ria Formosa, ou ainda de Óbidos e Albufeira, e zonas estuarinas, como as do Tejo e Sado, tenderão a desaparecer ou a estreitar-se muito, com perdas de terrenos agrícolas bem como inundações de zonas baixas vizinhas. Um estudo da Universidade da Cantábria revela que o aumento do nível médio do mar poderá roubar até 15 metros de areia às praias portuguesas e espanholas: a ponta de Sagres e a faixa costeira entre Aveiro e Lisboa, que poderá ter os areais reduzidos entre 14 e 16 metros, serão as zonas mais afectadas; na costa alentejana os areais poderão perder 8 a 12 metros, tal como a faixa acima de Aveiro.

A precipitação anual projectada para o período de 2080-2100 decresce praticamente em todo o país, principalmente no Alentejo e durante a primavera. A precipitação acumulada em dias de precipitação intensa tenderá a aumentar e a acumular-se nos meses de Inverno. Este padrão de alteração poderá aumentar significativamente o risco de episódios de cheias e das disponibilidades hídricas.

 
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