O capitalismo que pague - as pessoas em primeiro lugar criar PDF versão para impressão
26-Mar-2009
Unidade é forçaCom milhões de empregos e lares sob ameaça, e o planeta à beira de uma catástrofe ambiental, não podia ser mais clara a necessidade urgente de uma acção global sobre a economia. Mas as discussões da cimeira dos líderes do G20 em Londres não vão dar soluções.

Publicado no Socialist Worker britânico


Os objectivos anunciados da cimeira são ambiciosos.

Incluem nada menos que estabilizar os mercados financeiros, permitindo que "as famílias e os negócios atravessem a crise", e pôr a economia "de volta a um crescimento sustentável".

As esperanças de Gordon Brown de melhorar os seus resultados decadentes nas sondagens parecem abaladas.

Ele apostou a sua reputação na resolução da crise de recessão, embarcando numa tournée mundial para apoiar os seus planos de "um New Deal global".

Apesar dos seus esforços, a Organização Internacional do Trabalho advertiu esta semana que o mundo enfrenta um futuro de pobreza e falta de emprego, com o desemprego global a caminho dos 40 milhões de pessoas este ano.

O ex-secretário do Comércio Stephen Byers é a última figura dos trabalhistas a sugerir que Brown exagerou a mão, estabelecendo uma agenda muito ambiciosa para a cimeira.

Esta advertência seguiu-se aos alertas do ex-ministro dos Negócios Estrangeiros Lord Malloch-Brown, de que a cimeira vai provavelmente fracassar.

Gordon Brown quer que os líderes mundiais assinem um plano de incentivo do crescimento económico através de um "estímulo fiscal" de redução de impostos e de investimentos estatais.

Tanto ele quanto Peter Mandelson sugeriram que há um esmagador consenso internacional neste sentido.

Mas não é bem assim. Tanto o ministro das finanças alemão quanto o francês disseram que não apoiam os planos de Brown.

"Discordo dessa ideia completamente", disse a chanceler alemã Angela Merkel no início deste mês. "Não é a altura de olhar para mais medidas de crescimento".

Proteccionismo

E há outras divisões. Enquanto muitos países querem aumentar a regulação dos mercados, os líderes japoneses e chineses opõem-se a tentativas de regular o livre comércio.

Mesmo que se chegue a um acordo no G20, o passado mostra que muitos estados provavelmente vão ignorar as declarações finais.

A cimeira do G20 de Novembro último fez uma extensa denúncia do proteccionismo, mas o banco Mundial afirma que 17 dos 20 estados que a assinaram introduziram desde então medidas proteccionistas.

O maior problema do G20 é que quaisquer que sejam as diferenças sobre política, os líderes mundiais compartilham os mesmos objectivos - reerguer e pôr a funcionar o capitalismo.

Mas mesmo ante da eclosão da crise, o capitalismo era um sistema baseado na desigualdade crescente, na pobreza e na guerra. A recessão tornou-o pior.

É por isso que as manifestações no G20 são tão importantes. Elas dizem abertamente que não iremos pagar pela crise que não fizemos.

Um sistema sequioso de lucros é a raiz do problema

Dezenas de milhares de pessoas vão convergir para Londres este sábado para a manifestação "Ponham as pessoas à frente", na abertura da cimeira dos líderes do G20.

O protesto foi convocado por uma ampla coligação que se reuniu em tono de três reivindicações-chave - empregos decentes para todos, fim à pobreza global, e acções para combater as alterações climáticas.

Todos estes problemas são prementes e, junto com a actual "guerra contra o terror", são precisas soluções mais urgentemente que nunca.

Mas eles têm também mais uma coisa em comum. O desemprego, a desigualdade e a destruição ambiental são problemas persistentes precisamente porque a sua origem é o sistema pelo qual o mundo é organizado - o capitalismo.

Já conhecemos a miséria e a inutilidade que vem no rasto do desemprego generalizado. Este espectro assombra-nos de novo, graças a um sistema que distribui os empregos com base na realização rápida de dinheiro, mais do que tendo em conta qualquer consideração que leve em conta as nossas necessidades.

Por que é que os trabalhadores especializados que estão a ser postos em regime de lay off na indústria automóvel não são aproveitados na produção de outros bens necessários?

E por que não usar uma pequena fracção dos biliões de dólares gastos a resgatar o sistema bancário para pôr fim à obscenidade da pobreza, da fome e da doença em todo o mundo?

Porque isso não é lucrativo para a classe dominante - e o seu insaciável desejo de lucro que se sobrepõe a qualquer outra consideração, mesmo o futuro do planeta.

É por isso que, apesar das esmagadoras provas científicas de que as emissões crescentes de dióxido de carbono ameaçam empurrar o ecossistema do planeta para as catastróficas alterações climáticas, os governos continuam indecisos e hesitantes diante da necessidade de dar passos para salvar o mundo.

Assim, a luta por emprego, por justiça e pelo futuro do ambiente vão contra o mesmo inimigo - o capitalismo. E é um inimigo poderoso, que nunca "deixou de ser vitorioso", como o filósofo marxista Walter Benjamin escreveu uma vez.

Mas há uma força mais forte que o sistema - a vontade colectiva do povo que ele explora para gerar os seus lucros.

É nossa responsabilidade reunirmo-nos para combater o sistema na raiz das suas maleitas. Ao fazê-lo, poderemos concretizar o potencial para uma vida diferente - um sistema socialista que realmente ponha as pessoas em primeiro lugar.

Tradução de Luis Leiria

{easycomments}

 
Artigo seguinte >
tit_todosdosiers.png
© 2019 Esquerda.Net
Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.