Nacionalizar os lucros: porque a Energia também é nossa! criar PDF versão para impressão
27-Mar-2009

Em Portugal, esse país do bacalhau, do pastel de nata e do fado, vivem dezenas de trabalhadores e trabalhadoras que, dia após dia, ficam sem trabalho, dos quais somente metade recebe subsídio de desemprego. Os preços continuam altos, e as pessoas retraiem-se no consumo. Os players fraudulentos, senhores que "vivem" e recebem o "correio" em Offshores, são ajudados pela CGD e pelo Estado. O cenário torna-se ainda pior com a Qimonda a declarar a insolvência. E agora?

Agora, há que nacionalizar a parelha EDP-GALP, que lucrou 1500 milhões de euros à custa do bolso de todas e todos nós. Esses 1500 milhões de euros correspondem a perto de três milhões e meio (!) de salários mínimos nacionais. Para além disto, a nacionalização da energia pode constituir, dos ganhos da gestão da EDP e GALP, um importante fundo de maneio para políticas sociais de protecção no desemprego, ou até para a reconversão tecnológica dessas empresas. Mais importante: a regulação dos preços será certamente mais democrática, porque sujeita a escrutínio público.

A EDP e a GALP, juntas, lucraram perto de 1500 milhões de euros, em 2008. As oscilações espoliadoras do preço do petróleo, e o quarto preço mais alto de electricidade na União Europeia, justificam a nacionalização. Se o Governo PS decidiu nacionalizar as perdas dos desvarios das gentes do BPN, como pode não nacionalizar os lucros da EDP e GALP? É que, por exemplo, a dívida externa acumulada pelo Governo PS já faz com que Portugal esteja na lista negra de países "caloteiros"...

Obviamente que nacionalizar a díade EDP-GALP "é uma questão de bom senso", como afirmou Jorge Costa, do Bloco de Esquerda, até porque "os recursos fundamentais são de todos", como defendeu Francisco Louçã. Esperemos que haja sensatez no Palácio de S. Bento, até porque tentar recuperar apoios prestados pelo Estado à Qimonda é pouco, muito pouco, para um país que precisa de muito, muito mais.

Nuno Araújo

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