Feministas europeias pedem dissolução da NATO criar PDF versão para impressão
31-Mar-2009
Clique para ampliar Nas acções contra a cimeira do aniversário, entre as organizações e activistas presentes, a voz do movimento feminista far-se-à ouvir bem alto pela paz, pelo encerramento das bases militares e a dissolução da NATO. Leia aqui o apelo da Iniciativa Feminista Europeia por Outra Europa e o manifesto do grupo de trabalho feminista do Partido da Esquerda Europeia.

 


Apelo da Iniciativa Feminista Europeia por Outra Europa

A NATO FAZ 60 ANOS: TRISTE ANIVERSÁRIO PARA A PAZ.
61 anos: NÃO, obrigada!


Nós, feministas da Europa, apoiamos o Apelo Internacional de Estugarda por um mundo justo e sem guerra.  A 4 de Abril de 2009 vamos participar em ESTRASBURGO-KEHL na manifestação internacional
 «NÃO À GUERRA, NÃO À NATO» e tudo faremos para contribuir para o seu êxito.

No local e no momento em que se realizará a cimeira dos chefes de Estado dos 26 países membros, reunir-se-ão todas e todos os que querem um mundo em que os 1500 mil milhões de euros anuais hoje consagrados à morte sejam consagrados às necessidades vitais da Humanidade.
As políticas de segurança e de defesa continuam ainda hoje a basear-se na força armada e na capacidade de destruição. Continuam a fundar-se numa ameaça que vem do exterior, na construção da imagem do outro como inimigo. Pretendem ignorar que os civis constituem hoje a maior parte das vítimas dos conflitos, ignorar que nos últimos 15 anos todas as formas de violência para com as mulheres fizeram mais vítimas do que as duas guerras mundiais e todas as guerras do século XX reunidas. A violência em tempo de conflito, que justifica crimes sexuais e violações, está também presente em tempo de paz em todos os países.

É necessária uma nova concepção da segurança humana, a qual reclama em especial: 
 
•    A dissolução da NATO, instrumento de destruição e morte – que integra desde 2002 as opções militares bacteriológica, nuclear, biológica, química – ao serviço das políticas de dominação económica, política e militar da Europa ultraliberal e dos EUA.
•    O encerramento de todas as bases militares instaladas na Europa.
•    O abandono do Programa Europeu de Segurança Comunitária, que cria estruturas suplementares de segurança e que exige dos Estados que aumentem os seus orçamentos militares.
•    Um empenhamento no desarmamento total e na eliminação das armas nucleares, pela reconversão das estruturas militares em unidades civis de ajuda humanitária, pela implantação de estruturas paritárias de prevenção dos conflitos, em lugar da Agência Europeia de Defesa.
•    A implementação por todos os Estados signatários da resolução 1325 do Conselho de Segurança da ONU, que prevê a igualdade da participação das mulheres na prevenção, gestão e resolução dos conflitos e, depois, na consolidação da paz.

Criemos uma frente feminista de resistência e de propostas para contribuir para a construção de um projecto europeu portador de paz duradoura, de justiça social e de democracia, alternativa vital à destruição da Humanidade e do seu ambiente.

 

 


Manifesto do grupo de trabalho feminista do Partido da Esquerda Europeia


Nós, mulheres, rejeitamos a NATO, as suas guerras, o seu militarismo.

 

Nós, mulheres, defendemos a compreensão, a paz, a não violência.

Nós transcendemos as fronteiras – as mulheres fazem o caminho.

Por toda a Europa, as mulheres mobilizam-se contra as bases americanas. Lutamos contra os campos de treino da NATO: o que neles se ensina transforma-se em sangrenta realidade noutras partes do mundo. Erguemo-nos contra os mísseis nucleares e os sistemas de defesa por mísseis, bem como as estações de controlo espacial. Apoiamos a implementação da resolução 1325 da ONU, a qual estipula que as mulheres devem desempenhar um papel importante e autónomo na prevenção das guerras, na resolução pacífica dos conflitos e na construção de uma ordem baseada na paz.

Passada a Guerra-Fria, as mulheres superam de novo as divisórias entre os grupos étnicos e os países, que são fronteiras de ódio. Por todo o lado erguem pontes de compreensão, nomeadamente na dividida Irlanda, entre a Bósnia, a Sérvia e os outros Estados resultantes da ex-Jugoslávia, entre a Chechénia, o Afeganistão e a Rússia, entre Israel e a Palestina, entre o Curdistão e a Turquia. Eis as nossas experiências. Por isso é que sabemos: é possível uma Europa pacífica e promotora da paz.

A NATO é um obstáculo considerável neste nosso caminho. Baseia-se em clichés hostis, sempre renovados consoante lhe convém. Os membros da NATO lançam-se na guerra, defendem os seus interesses no mundo por meio de ameaças militares, desencadeiam uma nova corrida aos armamentos.

Nós dizemos: 60 anos de NATO, já chega! Queremos superar a política da força, mediante o respeito mútuo, a compreensão mútua, a resolução pacífica dos conflitos. Em lugar da dominação dos países ricos sobre os pobres, queremos ultrapassar tanto a fome como a pobreza. Só connosco, mulheres, será possível conseguir esta mudança política.

Na antiguidade clássica, para impedir a guerra, Lisístrata apelou às mulheres de Atenas e de Esparta para que repelissem os seus homens. Levou a sua avante. Nós recusamos os mitos dos belicistas.

Estes dizem: fazemos as guerras pelos direitos das mulheres, temos de combater o terrorismo com meios militares, as armas atómicas protegem-nos. Que chorrilho de mentiras!

Como filhas de Lisístrata, recusamos compartilhar a responsabilidade pelas campanhas bélicas,

− por uma Europa livre das armas nucleares,

− pelo encerramento das bases americanas,

− contra os programas da Guerra das Estrelas,

− pela abolição dos clichés hostis,

− pelo reconhecimento do papel das mulheres na prevenção das guerras e na criação dos alicerces para a resolução pacífica dos conflitos.

Primeiras Signatárias:
Lidia Menapace, Itália, ex-Senadora, Pacifista, Feminista;
Arielle Denis, França, Mouvement de la Paix;
Maria Hagberg, Suécia, Network against Honour Crimes, Women for Peace, IFE-EFI;
Maria Jose Araújo - Portugal, Bloco de Esquerda
Manuela Tavares - Portugal, UMAR
Maria José Espinheira - Portugal, Bloco de Esquerda
Fee Striefler, Alemanha, Ramstein Appeal;
Lita Malmberg, Dinamarca;
Ellen Diederich, Alemanha, Womens’ Peace Archive Fasia Jansen;
Josette Rome Chastanet, França, IFE-EFI;
Christiane Reymann, Alemanha, el-fem, LISA;
Gudrun Tiberg, Suécia, Women for Peace;
Ingrid Ternert, Suécia, Peace-Coalition Gothenburg;
Rebecca Hybbinette, Suécia, Network against Honour Crimes;
Imma Barbarossa, el-fem, Forum Donne;
Bärbel Blumenthal, Alemanha;
Christel Buchinger, Alemanha, el-fem, LISA;
Kirsten Tackmann, Alemanha, Deputada Die Linke.

 

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