“Evolucionismo” ou retrocesso na escola? criar PDF versão para impressão
31-Mar-2009

As constatações deixadas na NM 879 (Noticias Magazine) pelo investigador em biologia vegetal, Francisco Carrapiço, no que toca ao estado deficitário do ensino do evolucionismo nas escolas portuguesas, reflectem bem, não a evolução, mas o retrocesso dos saberes e do conhecimento da humanidade, 150 anos depois da publicação da teoria de Charles Darwin, "A Origem das Espécies".

Opinião do nosso leitor José Lopes

Na entrevista à jornalista Carla Amaro, o investigador que partilha a corrente simbiogénese, como uma perspectiva mais abrangente e um conceito que considera pouco valorizado pela população em geral, tal como o diz ser também pelos autores evolucionistas tradicionais. Contribui de forma acessível, para os leitores terem consciência, das consequências da teoria da evolução, não ser praticamente falada até ao nono ano, como alerta. E mesmo estando consagrado no programa de ciências naturais, Francisco Carrapiço é peremptório, "Não chega" afirmando que: "Praticamente não se fala de evolução na escola, o que representa um retrocesso relativamente a há uns anos". O mesmo sucedendo, "em relação à origem da vida" acrescenta ainda. Um branqueamento ainda mais notório, no que toca ao pós-neodarwinismo, que ""tão-pouco é abordado" conclui.

Acreditando este especialista de invejável curriculum na área do sistema simbiótico, que o Ministério da Educação não será um "ninho" de criacionistas, admitindo sim, que "está a borrifar-se para o efeito de certas medidas". Não será certamente inocente escamotear tal matéria na sala de aula na disciplina das ciências, quando, como assume: "Mais grave: há indicações no sentido de não aprofundar as ideias evolucionistas". Sabe certamente do que fala, e do M.E. espera-se que se retrate, porque como também é dito, "A ignorância sobre a evolução gera condições propícias ao alastrar do criacionismo e da iliteracia científica" como já não fosse suficiente toda a outra...

A inquietação é tanto mais premente, num tempo em que é promovido um certo facilitismo na educação, como que treinando os alunos a pensar mais nos interesses imediatos, oficializando a mediocridade na escola.

É pois neste quadro de acentuado retrocesso, em que tudo de forma aparentemente subjectiva se entrelaça, mesmo o medo que se vai fazendo sentir nos profissionais do ensino, que também em Portugal, objectivamente se vai descorando este lobby da corrente criacionista sem qualquer fundamentos científicos e fortemente implantada nos EUA, com objectivos que o investigador classifica relativamente aos crentes, de "controlar as pessoas, a sua maneira de pensar".

Ainda que Carrapiço conclua que em Portugal, "a «guerra» entre evolucionistas e criacionistas é pouco expressiva" não deixa de admitir que, "já começa a ter efeitos nas escolas". Constatação que se torna mais preocupante com os sinais de fragilidade que se vivem na escola publica, em que reina a resignação provocada por tanta politica governamental nada "evolutiva" que incentiva á obediência acrítica a orientações tão repugnantes, que só mesmo as tímidas e pontuais iniciativas no âmbito do 150.º aniversário da publicação da obra de Darwin "A Origem das Espécies", permitiu alguma esperança de resistência ao perigoso conformismo, contrário á abordagem evolucionista da vida.

Assim e ao contrário de um debate supérfluo a que alguns querem relegar a polémica entre evolucionistas e criacionistas ou a pseudo "evolução" da Igreja, que através da voz do presidente do Conselho Pontifício para a Cultura e também presidente da Comissão Pontifica para os Bens Culturais da Igreja, arcebispo Gianfranco Ravasi, uma autoridade da Santa Sé, que declarou em Setembro de 2008, que a Igreja aceita a teoria da evolução, desde que guiada por Deus. A comemoração do bicentenário do nascimento de Charles Robert Darwin e o sesquicentenário da publicação da sua obra-prima, A Origem das Espécies, merecia ainda mais atenção da escola de hoje, para com a teoria que retirou o Homem do centro da criação e como escreve Thiago Carvalho no artigo "O primo do macaco" na revista Ler (Livros & Leitores) de Fevereiro/2009, "Mais do que um revolucionário acidental, Darwin foi um revolucionário relutante. Conhecia muito bem o carácter explosivo das suas ideias, e não era uma pessoa que gostasse de perturbar a sociedade educada - ou, ainda menos, de perturbar a sua mulher. Emma Darwin tinha profundas convicções religiosas e temia que as heresias científicas do marido viessem a separá-los na Eternidade. Ela iria para a sua recompensa no Céu, e ele, bom, ele iria para outro sítio."

José Lopes (Ovar)

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