Estudo da revista Lancet criar PDF versão para impressão
24-Nov-2006
ABORTOS CLANDESTINOS PROVOCAM CINCO MILHÕES DE INTERNAMENTOS
cartazabortoMais de cinco milhões de mulheres tiveram complicações hospitalares na sequência de abortos clandestinos, nos países em vias de desenvolvimento e 68 mil mulheres morrem, todos os anos, vítimas de aborto clandestino, revela um estudo que vai ser publicado na revista médica britânica The Lancet.
Dezanove milhões de interrupções voluntárias da gravidez são praticadas por ano em todo o mundo sem condições de higiene ou segurança suficientes, quase sempre na ausência de pessoal qualificado. Segundo os números da Organização Mundial de Saúde (OMS), citados no estudo da revista médica.
Segundo a OMS, quatro em cada dez mulheres nos países em desenvolvimento confrontam-se com restrições ao aborto — ou não é permitido ou é apenas previsto em situações de incesto ou violação, de risco para a vida da mulher ou para a sua saúde.
O estudo de Susheela Singh, do Guttmacher Institute de Nova Iorque, partiu da análise das estatísticas nacionais de admissões hospitalares relacionadas com abortos em 13 países em vias de desenvolvimento: Egipto, Nigéria, Uganda, Bangladesh, Paquistão, Filipinas, Brasil, Chile, Colômbia, República Dominicana, Guatemala, México e Peru. Os dados foram combinados com informações de cinco outros países da África subsariana — Burkina Faso, Gana, Quénia, Nigéria e África do Sul.
A especialista concluiu que em 2005 cinco milhões de mulheres terão sido assistidas nos hospitais para tratamentos após complicações causadas por abortos realizados sem segurança, o que perfaz uma média de 5,7 internamentos por cada mil mulheres em cada ano nos países em desenvolvimento ("à excepção da China, onde o aborto é legal, seguro e amplamente disponível", assinala Susheela Singh).
Susheela Singh estima que se este cenário persistir, uma em cada cinco mulheres em idade reprodutiva será internada para tratar problemas devidos a interrupções da gravidez sem condições em alguma altura da sua vida.
Estas complicações e hospitalizações podiam ser evitadas, segundo Susheela Singh, através do incentivo à contracepção, mas também pela permissão do aborto legal, em boas condições de segurança, tornando esses serviços acessíveis. Essas medidas devem ser uma prioridade nos países em desenvolvimento, conclui a perita.


 
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