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30-Nov-1999

A LESTE NADA DE NOVOg8_leaders
Um ano depois da cimeira do G8 que teve lugar na Escócia, a Rússia recebe a reunião dos oito países mais poderosos do mundo. Se a agenda da anterior cimeira tinha como ponto forte o combate da pobreza, esta tem como mote dois aspectos não menos ambiciosos: a “segurança energética” e o “combate ao terrorismo”. Dossier G8

O ministro dos Negócios Estrangeiros Russos, Sergei Lavrov, mostrou-se confiante: “os esforços coordenados pelos parceiros do G8 para responder aos grandes desafios que se colocam têm repercussões positivas na qualidade de vida das próximas gerações”. O governo russo empenhou-se muito nesta cimeira, tendo feito um esforço de consulta das sociedade civil, chegando a patrocinar o “Civil G8”, em que mais de 600 ONGs discutiram com o presidente Putin a agenda da reunião (ver notícia sobre o G8 Civil).

Apesar destes esforços, a realização da cimeira em São Petersburgo mantém-se envolta em polémica. Por um lado, muitos sectores da sociedade civil contestam a existência do G8, que consideram um instrumento de imposição da vontade dos mais poderosos ao conjunto da comunidade internacional. Por outro lado, a preparação da cimeira está envolta no crescente clima de conflito entre os Estados Unidos e a Rússia. Recentemente, numa reunião com os Estados Bálticos, o vice-presidente dos Estados Unidos da América, Dick Cheney, acusou o governo russo de contrariar as “reformas” de Yeltsin e de fazer “guerra energética: “não há causa legítima que possa justificar a utilização do gás e do petróleo como instrumentos de manipulação e chantagem, quer seja pela manipulação dos aprovisionamentos ou pelas tentativas de controlar os transportes. E ninguém pode justificar acções que ameaçam a integridade territorial de um vizinho ou entravem o movimento democrático. A Rússia deve fazer uma escolha”. Estas declarações provocaram uma viva reacção do governo russo, tendo Putin denunciado as desmedidas ambições e apetites de poder do “camarada lobo” Norte Americano. Mas as declarações de Cheney não são fortuitas na administração Bush, Donald Rumsfeld alertou recentemente, numa tribuna difundida pelo Council on Foreign Relations, que se “a atenção dos Estados Unidos concentra-se hoje sobre o Iraque e o Afeganistão. Mas nos próximos anos isso vai mudar. E seremos forçados a escolher outras prioridades...como por exemplo a Rússia”.  A esta escalada com tons de “guerra fria junta-se um outro problema de fundo, o G8 tem sido um instrumento da dominação dos países mais poderosos, incapaz de resolver grande parte dos problemas do planeta. Exemplo disso, é o completo falhanço, devido a posição nesta matéria da administração Bush, de forçar o cumprimento do acordo de Quioto. Os esforços nessa matéria, de Tony Blair na anterior cimeira, foram completamente pífios.

 
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