Dias Loureiro defende vantagens de negócio ruinoso criar PDF versão para impressão
05-Mai-2009
Dias Loureiro não admite ter mentido e não dá sinais de querer largar o Conselho de EstadoOuvido pela segunda vez no Parlamento, Dias Loureiro garantiu que o negócio da compra e venda das empresas tecnológicas detidas por um testa de ferro do libanês el-Assir, em Porto Rico, e que deu um prejuízo ao BPN de 38 milhões de euros, foi conduzido "com boa-fé e podia dar imenso lucro aos accionistas". O Bloco de Esquerda voltou a exigir a demissão de Dias Loureiro do Conselho de Estado  

O antigo administrador da Sociedade Lusa de Negócios - Manuel Dias Loureiro - confirmou esta terça-feira ter assinado o acordo que pôs fim à participação do fundo Excellence Assets (da SLN) na empresa porto-riquenha Biometrics. Um negócio ruinoso, de compra e venda das empresas tecnológicas detidas por um testa de ferro do libanês el-Assir, e que viria a resultar num prejuízo de 38 milhões de euros.

Recorde-se que na primeira audição parlamentar Dias Loureiro negou qualquer envolvimento no negócio. Mas quando confrontado com as declarações em contrário do
antigo administrador do Excellence Assets, António Coutinho Rebelo, acabou por admitir "lapsos de memória". Foi na sequência desse episódio que Dias Loureuro voltou a ser chamado à Comissão de inquérito Parlamentar. Desta vez, a postura foi a de tentar justificar a "boa-fé" de um negócio ruinoso. Mas mesmo com esta inflexão de postura o Conselheiro de Estado diz-se "indignado" com a possibilidade de ser acusado de mentir, frisando que "não se falseia um carácter durante 30 anos".

O negócio entre a SLN e a Biometrics (empresa de tecnologia) chegou a ser descrito como "ruinoso" para os cofres do grupo. Ainda assim, Dias Loureiro garante que o processo foi conduzido "com boa-fé e podia dar imenso lucro aos accionistas". O antigo administrador recordou ter participado numa reunião em que Oliveira e Costa "disse que este negócio ia dar muito lucro".

"Fomos a Porto Rico, vimos os pedidos de registo de patente nos EUA. Sempre soubemos da pouca saúde financeira da empresa, não era novidade para ninguém. Investiram muito em investigação e desenvolvimento e chegaram a um ponto em que precisavam de financiamento", evocou. A Biometrics dispunha de um volume de negócios anual na ordem dos oito milhões de euros. O plano de negócios para o primeiro ano após o investimento da SLN previa um aumento daquele volume para 100 milhões de euros. Tamanha disparidade não surpreendeu Dias Loureiro:

"O plano de negócios era ambicioso, já que havia que tirar potencialidades da invenção. Estamos a falar de um período específico em que as tecnológicas, mesmo start ups ou de pouco peso, valiam fortunas", sustentou o Conselheiro de Estado

O negócio com a Biometrics resultou em prejuízos de 38 milhões de euros. Contudo, Dias Loureiro defende que "o acordo permitiu evitar à SLN gastar mais 33 milhões de euros", a somar à verba despendida para o arranque da participação dado que "o sócio de Porto Rico queria receber esta tranche e, quando percebeu que queríamos romper o negócio, ameaçou com uma indemnização de centenas de milhões de euros".

O antigo administrador revelou ainda que, ao entrar para a administração da SLN, "não tinha nenhum posto definido": "Podia tratar de tudo o que fosse necessário. Tudo o que Oliveira e Costa me pediu para fazer enquanto não tinha nenhum pelouro. Saúde, cimentos, o negócio com a Caixa Galicia, tudo o que o presidente me pediu eu tratei".

Estas explicações não convenceram os deputados da Comissão de Inquérito. Pelo Blcoo de Esquerda, João Semedo afirmou que Dias loureiro se revelou atrapalhado e pouco convincente, "incapaz de explicar um buraco que todos os portugueses estão a pagar com os seus impostos". E frisou que Dias Loureiro há muito que não tem condições políticas para continuar no Conselho de Estado.

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