A crise do capitalismo e o futuro criar PDF versão para impressão
20-Mar-2009

Bernardino ArandaApesar de Jean-Claude Trichet, Presidente do Banco Central Europeu, certamente rendido à moda do "pensamento positivo", ter anunciado esta 4ª feira que 2010 será um ano de "retoma moderada", o que está cada vez mais claro é que a gravidade e a dimensão da crise demonstram o estrondoso falhanço do modelo capitalista e que os caminhos do futuro não se tecem através de uma gestão de curto prazo da crise, com regulação pontual de alguns mercados e com a compra de certos activos tóxicos por parte do Estado.

São necessárias verdadeiras mudanças em direcção a uma outra forma de organizar a economia.

São tempos interessantes os que vivemos e as ATTAC de vários países da Europa (incluindo Portugal) compreenderam bem isso ao declarar num documento conjunto que "uma oportunidade histórica foi criada".

Esse documento procurou definir algumas propostas concretas no sentido de "quebrar os pilares do neoliberalismo, e em particular da mobilidade planetária do capital": acordos internacionais para impor limitações ao comércio livre e à livre circulação de capitais; a introdução de uma taxa sobre as transacções financeiras, a taxação progressiva dos rendimentos do capital; nacionalizações no sector financeiro, energia, e transportes; o controlo democrático dos Bancos Centrais ou a alteração da política monetária de forma a privilegiar o emprego e a justiça social.

Se existe algum consenso sobre o diagnóstico da crise do capitalismo, o tema das propostas concretas de política económica alternativa, já necessita de um debate mais apurado. No entanto, apesar de tudo, a maior dificuldade parece ser de ordem política: desenhar e escolher as propostas mais apelativas e com maior capacidade de mobilização e lutar por uma correlação de forças favorável à implementação de novas políticas.

A ATTAC Portugal e a generalidade das ATTAC europeias parecem estar apostadas nisso mesmo.

Numa altura em que o movimento dos Fóruns Sociais e em particular o Fórum Social Português parece ter entrado em letargia, a realização desta conferência é portanto uma muito boa notícia.

Bernardino Aranda

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