O papa é ridículo e maléfico criar PDF versão para impressão
23-Mar-2009
Bruno Maia

Muita tinta correu esta semana sobre as abomináveis declarações do papa Bento XVI acerca do preservativo e da SIDA. França, Bélgica, Espanha e Alemanha criticaram correctamente, estas declarações. Mas há coisas simples que têm de ser ditas. África é o local do mundo onde se localizam 67% dos infectados com o HIV. Só em 2008, quase 2 milhões de Africanos foram infectados de novo. Há países na África sub-sahariana onde a percentagem de infectados ascende aos 45% da população total. Para além da transmissão sexual, a transmissão materno-fetal atinge números elevadíssimos, nascendo, todos os anos, crianças já infectadas.

África é um continente devastado pela miséria, onde trabalham várias ONG's, distribuindo preservativos e procurando apoios institucionais no mundo dito desenvolvido para o fornecimento de medicação gratuita para o HIV (em quase todos os casos com sucesso reduzido...). Existem muitos ocidentais que há vários anos fazem campanhas de promoção do uso do preservativo, não só distribuindo-os gratuitamente, como também intervindo na comunidade, explicando os riscos do HIV e de que forma o preservativo o pode evitar. Mas é claro que as condições sociais e políticas em que vivem as populações Africanas desde sempre dificultaram este trabalho e, por isso, a infecção continua a alastrar, a dizimar milhões de vidas e a diminuir a esperança e a qualidade de vida dos jovens e das jovens Africanas. A SIDA em África é hoje um flagelo, uma pandemia, uma realidade aterradora e um dos grandes obstáculos ao desenvolvimento deste continente.

Desde cedo (início da década de 80), com a descoberta do HIV como causa de SIDA, se percebeu que o sexo é a forma mais comum de contágio deste vírus. E foi também muito cedo que a ciência demonstrou a elevada eficácia do uso do preservativo masculino na prevenção da transmissão do HIV. Até hoje, nenhum caso de transmissão foi registado com o uso correcto do preservativo, seja em relação heterossexuais ou homossexuais, seja em sexo vaginal, anal ou oral. Estima-se que hoje, com todas as campanhas de prevenção que foram realizadas em todo o mundo, se tenha impedido uma pandemia global. Na maioria dos países Europeus, com o virar do milénio, a incidência de novas infecções por HIV começou a descer - o uso disseminado do preservativo e as campanhas públicas dirigidas à população começaram a surtir efeito.

E é perante estes dados tão simples, que as declarações do papa se resumem ao ridículo de uma fantasia alienígena que toma o inverso do mundo como a sua verdade. Entre afirmar que os preservativos complicam o problema da SIDA em África ou dizer que a queda de um 59º andar para o cimento duro melhora a digestão, não há diferença nenhuma. O papa é ridículo e diz coisas que, aos olhos da realidade, são ridículas e fantasiosas.

Mas para além de ridículo o papa tem uma visão maléfica do mundo, pois quando condena uma menina de 9 anos à excomungação por ter sido violada e nada tem a dizer sobre o seu violador... Há algo de errado na ordem de valores deste senhor!

Essa é a razão porque escreverei a minha carta de apostasia brevemente, porque não posso estar vinculado a uma religião em que o seu líder máximo convida à violação de menores e à infecção pelo HIV.

Convido todos e todas os/as que foram baptizado/as a escreverem a sua carta de apostasia como protesto e envio um link de um modelo desta carta em castelhano: http://ateus.org/docs/ImpresoApostasiaReducidoACCas.pdf

Bruno Maia

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