As dificuldades estudantis nos dias de hoje criar PDF versão para impressão
31-Mar-2009
Daniel Bernardino

Num momento em que vivemos, com um Governo que diz apostar na qualificação dos portugueses, os trabalhadores estudantes deparam-se cada vez com mais dificuldades, havendo retrocessos nos seus direitos e regalias. Falo dos trabalhadores estudantes e das alterações que o novo código de trabalho veio trazer.

A anterior legislação permitia que o trabalhador estudante não estivesse sujeito à frequência de um número mínimo de frequência de uma disciplina de um determinado curso, o trabalhador estudante não estava sujeito a qualquer disposição legal que fizesse depender o seu aproveitamento escolar da frequência de um número mínimo de aulas por disciplina e não estava sujeito a limitações quanto ao número de exames a realizar na época de recurso, Mas tudo isto já não existe.

Também os estabelecimentos de ensino que tinham horários pós-laborais que deviam assegurar que os exames e as provas de avaliação, bem como os serviços mínimos de apoio ao trabalhador estudante decorressem na medida possível dentro do horário escolar, agora já não é assim em muitas escolas e faculdades.

São impostas regras que fazem os trabalhadores estudantes realizar avaliações, exames, fora dos seus horários escolares e também ao fim de semana. São também impostas limitações quanto à frequência de números mínimos de aulas, por alguns professores, em algumas unidades curriculares, podendo os alunos trabalhadores estudantes ser excluídos de um sistema de avaliação contínua, se não cumprirem com a assiduidade exigida, sendo remetidos para exames. São estas metas definidas pelos professores contra o protesto dos estudantes.

Sendo o processo de Bolonha muito exigente, para professores e alunos, e havendo um compactar de matéria dada aos estudantes, de uma forma quase de "enfardar", não me parece que estas sejam as melhores condições para os trabalhadores estudantes. Retirar-lhes direitos, quando se pretende criar mais valias em diferentes gerações, que abandonaram o ensino, pelas mais diversas razões e depois quando decidiram voltar, porque acharam que têm uma "nova oportunidade" serem confrontados com estas dificuldades pode levar a que sejam excluídos, não pela sua própria vontade, mas pelas dificuldades encontradas para conseguirem gerir e conciliar o tempo entre escola e trabalho.

Os trabalhadores estudantes são, na maioria dos casos, pessoas com responsabilidades familiares, com responsabilidades profissionais nas empresas onde trabalham, logo têm uma enorme força de vontade em se qualificarem mais. Por isso estes trabalhadores deveriam ter na sua enorme vontade de vencer uma maior atenção por parte do nosso Governo.

Daniel Bernardino, trabalhador estudante universitário, Coordenador da Comissão de Trabalhadores Faurecia - Parque industrial Autoeuropa, Dirigente Sindical - Sinquifa

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