Uma questão de credibilidade criar PDF versão para impressão
07-Abr-2009
Miguel PortasMário Soares atacou e Vital aquiesceu - os socialistas europeus deveriam ter um candidato a presidente da comissão europeia que não fosse "um rosto do passado". A direita não deixou passar a oportunidade e invectivou contra a falta de "patriotismo" do PS. O bastante para que o cabeça de lista do PS às europeias viesse esclarecer no seu blog que se os socialistas europeus ganhassem as europeias, então deveriam ter o seu próprio candidato. Finalmente, ontem à noite a direcção socialista colocou uma pedra assunto através de Vitalino Canas que confirmou o que todos já sabiam - que Durão Barroso é o candidato do PS à presidência da comissão europeia.

Uma trapalhada nunca chega só

Pelo meio, Vera Jardim e Ana Gomes vieram em socorro de Vital Moreira. A segunda, com a liberdade de palavra que se lhe reconhece, chegou mesmo a afirmar que o PSE "perderia toda a credibilidade" se defendesse Barroso, uma vez que o manifesto socialista europeu quer "uma mudança de paradigma". Bom, se quer ou não quer, ficamos sem saber porque a decisão de apoiar o actual presidente da comissão não é apenas de José Sócrates, mas do próprio PSE. Mas lá que perde toda a sua credibilidade, disso não há dúvida.

A trapalhada ficaria por aqui não se desse o caso de Vital Moreira ter acrescentado que "o PS respeita as posições individuais dos seus membros", como se numa matéria deste tipo - a confirmação parlamentar do candidato dos governos à presidência da comissão - a liberdade de voto fosse tão natural quanto o ar que respiramos. Eis o que é, pelo menos, uma opinião singular, já que recentemente foi o próprio Vital a defender em artigo no Público que em listas fechadas de partido a independência de voto em matérias importantes não se justifica.

Nós europeus...

A conclusão deste caricato episódio é óbvia: discurso para a esquerda e política para a direita. Finalmente se percebe o significado do singular plural majestático sem verbo do "nós europeus"... Não é defeito, mas feitio.

 
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