Novas tecnologias - Big Brother, nós estamos a vigiar-te... criar PDF versão para impressão
09-Abr-2009

Paula SequeirosSão constantes as notícias de como as novas tecnologias estão a alterar a forma como a comunicação social se faz.

A importância crescente dos blogues, a queda nas vendas dos jornais em papel a par dum crescente número de leitores nas edições em-linha, sobretudo jovens.

A miragem da utopia democrática na Internet é difícil de aceitar, mas que as coisas mudaram, não restam dúvidas.

O caso recente do registo vídeo da violência policial - ver notícia no esquerda.net - sobre um homem que ia a passar durante os protestos contra o G20, é o virar da lente ao contrário: se as ruas de Londres estão vigiadas em permanência por aparelhos de vigilância do Estado e da sua polícia (crescentemente) repressiva, começa a emergir com frequência também crescente a divulgação de imagens denunciadoras colhidas por cidadãos que se sentem ameaçados e querem fazer as suas denúncias.

Felizmente temos estes meios cada vez mais vulgarizados e miniaturizados. Não temos de apanhar sistematicamente com as imagens oficiais ou que protegem os poderes instituídos.

Pessoalmente revolto-me com a constante colagem que os nossos jornais fazem entre estes manifestantes e grupos de arruaceiros: são fotos destes, que também os há, muitas vezes infiltrados em movimentações que não organizaram, que aparecem sempre a ilustrar as notícias dos protestos contra as cimeiras da hegemonia capitalista global.

A câmara vira-se agora ao contrário: estamos de olho no Big Brother.

Não fossem estas imagens e teria vingado a tese da morte ocasional desse transeunte. As imagens que o The Guardian publicou remexem o nosso estômago - esse homem foi agredido de forma gratuita e completamente despropositada.

Contra a pretendida hegemonia ideológica, contra esta guerra suja de desinformação, faz-se guerrilha informativa - eles são «grandes», têm muitos meios, têm o poder; nós somos muitos e muitas, temos a justeza das nossas causas, temos a insubmissão.

As tecnologias têm política sim - usêmo-las a favor da justiça social

Paula Sequeiros

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