O animal feroz criar PDF versão para impressão
23-Abr-2009

João Teixeira LopesSócrates disse de si próprio ser um animal feroz. Na entrevista da RTP percebemos como se transforma o animal feroz quando um país se desmorona: nada vê para além de si próprio. A crise? É culpa da conjuntura internacional. As medidas que o Governo lançou? Estão a fazer efeito. Antes da crise? Criaram-se mais de 100 mil novos empregos e Portugal, pela batuta da ditadura orçamental, era um país rijo e saudável. O Presidente? Um amigo que pensa diferente. Tudo o resto? Calúnias. O que vai fazer? Processar. O país a atravessar a pior crise desde a Revolução e Sócrates adjectiva o noticiário da TVI.

O autocentramento cansado e acossado mostra ao limite o fracasso do rumo liberal. Perante as franjas por onde se poderia espreitar um mundo melhor, Sócrates nada perscruta e reforça a presença militar no Afeganistão. O desemprego será de 11%, avisa o FMI. Mais de 85% dos planos anti-crise foi engolido pela banca, afirma a insuspeita entidade. A pobreza regressa aos 20%.E a retoma será tardia, lenta e incipiente. Que planos? Que alternativas ou projectos? Nada.

Dizem os jornais que a segurança pessoal de Sócrates é agora mais apertada, o que é visível nos próprios estudos televisivos, onde se cria uma espécie de cordão protector. A crise desencadeia loucuras nos mais vulneráveis e importa prevenir...

A televisão, é sabido, cria sentidos por vezes não esperados. As imagens desprendem-se da sua pele imediata. Na televisão, um Primeiro-Ministro mostra à saciedade a irritação, a incapacidade de escutar, o ensimesmamento. Está na altura de o deixar respirar. Libertemos o Senhor Primeiro-Ministro.

João Teixeira Lopes

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