As coisas que “eles” são capazes de dizer criar PDF versão para impressão
04-Mai-2009

Mariana AivecaEm Maio do ano passado num debate de urgência pedido pelo Bloco de Esquerda sobre o código do trabalho, Viera da Silva dirigia-se assim ao parlamento:

"Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados: Uma reforma laboral digna e decente não pode centrar-se nos direitos e nos deveres dos que têm empregos aparentemente protegidos e remeter para a periferia do debate a questão da precariedade: tem de reduzir a desigualdade de oportunidades entre todos os tipos de emprego, tem de reduzir a segmentação dos mercados e tem de promover a qualidade do emprego".

" Queremos reduzir a precariedade. Sim queremos! E só quem vive longe do mundo, longe das empresas e dos trabalhadores é que não entende que precisamos de melhor lei, de mais fiscalização, mas também de outros instrumentos de mudança. De mais estímulos e penalizações para contrariar eficazmente a precariedade ilegal e para limitar a precariedade legal". (Vieira da Silva - DAR I série nº88 de 29/05/2008).

Tal intervenção eivada da mais profunda hipocrisia teve bastos aplausos do PS. Aliás, outra coisa não esperaria Vieira da Silva. Mas, o que de facto, se pretendia era dar um ar de esquerda e, continuar a alimentar as expectativas de tod@s os que acreditavam ainda, nas promessas do PS e na sua "bondosa" intenção de combater a precariedade.

Passou um ano e nem tivemos melhor lei, nem mais fiscalização, nem quaisquer instrumentos de mudança. As vidas precárias continuaram e agravaram-se.

Como presente de 1º de Maio, o que o governo veio dizer é que, a entrada em vigor das tais medidas que eram tão entusiasticamente aplaudidas pelo PS, como sendo o coelho da cartola do combate à precariedade (o agravamento em 3% da taxa social única a pagar em relação a cada contrato a prazo, e a redução de 1% da mesma taxa para os contratos sem termo) são só para 2011.

Este adiamento faz parte do Código dos Regimes Contributivos do Sistema de Segurança Social que, segundo o comunicado do Conselho de Ministros, "procede à compilação, sistematização, clarificação e harmonização dos princípios que determinam os direitos e as obrigações dos contribuintes e dos beneficiários do sistema previdencial de segurança social, adequando os normativos à factualidade contemporânea e à necessidade de uma forte simplificação administrativa".

Como se pode ver, tudo coisas muito simples de entender, ditas de modo escorreito, ao alcance do mais comum dos mortais.

Será que 35 anos depois do 25 de Abril, Vieira da Silva acredita que a geração mais qualificada de sempre é tola, e se deixa enganar com as suas mentiras e a sua propaganda populista?

Este 1º de Maio trouxe à rua muitos e muitas delas que, com a garra de quem tem a vida para fazer, lhes disseram " Precários nos querem Rebeldes nos terão". O mote está dado.

Mariana Aiveca

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