O 1º de Maio, a luta dos trabalhadores e a contribuição do precariado criar PDF versão para impressão
04-Mai-2009

Tiago GillotNa passada 6ª feira, o 1º de Maio foi mais uma jornada de justo protesto contra a enorme ofensiva que pende sobre os direitos de trabalhadoras e trabalhadores. Este foi o ano da aplicação do Código do Trabalho que Sócrates e Vieira da Silva ofereceram aos patrões, na mais descarada agressividade deste mandato. E sabemos que não podemos esperar nada de bom, porque nos querem a pagar a crise deles, com cada vez mais desemprego a aterrorizar e a legitimar a generalização da precariedade e dos baixos salários. É este o saldo desta governação: 500 mil desempregados e 2 milhões de precários - cerca de metade da população activa portuguesa está a viver a prazo.

Também por isso, é tão importante a luta que os movimentos de precários vêm acrescentando à luta dos trabalhadores. Este 1º de Maio fica também marcado pelo crescimento da iniciativa MayDay - uma manifestação contra a precariedade que, desde 2007, se junta ao desfile da CGTP. Este ano, o MayDay chegou também ao Porto, juntando várias centenas de precários e precárias e, sobretudo, reflectindo um crescimento da resposta e capacidade de organização do precariado e a sua cada vez maior contribuição para a mobilização contra a chantagem e a exploração. Em Lisboa, foi mais uma parada muito participada e com muitas acções fortes pelo caminho.

Num momento em que nos querem caladinhos e isolados, apertados entre o desemprego e a precariedade, dispostos a calar para comer, a capacidade de crescimento da iniciativa MayDay tem ainda um maior significado. Dois anos passados sobre o MayDay Lisboa 2007, é hoje nítida, apesar de todas as dificuldades, a afirmação desta nova expressão da luta dos trabalhadores.

Os novos movimentos do precariado têm sido uma experiência forte, porque acrescentam mobilização entre quem está a pagar mais caro o avanço da exploração: os contratados a prazo, os recibos verdes, os estagiários, os imigrantes, os "desemprecários" e toda a gente a quem se pede que aceite viver sem poder gerir o presente ou olhar para o futuro - gente que trabalha mais e pior, para receber menos e sobreviver. Movimentos que têm sabido olhar para a multiplicidade de condições, ambições e referências, como uma diversidade que se transforma em luta e nas possibilidades que ela abre; e que sabem que têm que procurar encontros com toda a gente que anda a ser explorada, independentemente da sua condição, porque todos somos poucos para dar a volta ao aumento da exploração e às tentativas de diminuir a nossa capacidade de lhe fazer frente.

Tiago Gillot

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