Centrão ou Alternativa criar PDF versão para impressão
07-Mai-2009

Natasha NunesA ideia de uma coligação, entre o PS e o PSD, a propósito da próxima legislatura, é uma ideia turva, tosca e tímida.

Turva porque representa um conceito empobrecido de democracia, na medida em que desrespeita o sentido de voto dos eleitores que, segundo as sondagens disponíveis, propendem para um incremento eleitoral da esquerda; tosca porque se anuncia enquanto um mal menor, unem-se o PS e o PSD no governo para, em conjunto, tentarem fazer aquilo que, separadamente, se revelam incapazes de fazer: apresentarem soluções viáveis ao momento difícil que se vive; tímida porque não ousa propor que só uma alternativa política, progressista e consistente, pode quebrar o ciclo vicioso da degradação do actual estado da arte.

O bloco central não se apresenta enquanto uma resolução para as múltiplas crises (a conjectural, a estrutural e a social) que assolam o país porque os seus mandatários, Sócrates e Ferreira Leite, não têm mais para se valer do que os mesmos desgastados rostos e as mesmas velhas propostas. A título de exemplo, ambos concordam em diagnosticar o desemprego enquanto o principal problema do país, no entanto, nenhum desenvolveu uma resposta eficaz, sistemática e sistémica, sob a forma de uma nova política de criação e protecção do emprego ou de uma vigorosa política de protecção social aos desempregados. A questão é que quer o PS quer o PSD são parte do problema e não da solução. Personificam o falhanço completo de todo um escol que, desempenhando funções de governo nas últimas três décadas, tem sido incompetente na promoção de uma estratégia de desenvolvimento do país, e que continua agrilhoado a uma ideia de modernização conservadora que, em termos de progresso e qualidade de vida, nada tem proporcionado aos portugueses.

Em democracia o valor da diferença, do antagónico e das oposições é condição fundamental. A proposição de um revival de um bloco central enaltece o situacionismo do consenso podre e desvaloriza a audácia de um ensejo de transformação social, a preconizar pela esquerda emancipatória, que tantos eleitores expressarão nas urnas. O país não carece de mais do mesmo, ao invés, precisa de destemor para erguer novos trilhos, alicerçados no conceito da democracia e da solidariedade económicas e sociais. O voto à esquerda traduzirá a força da vontade de mudança, contra as maiorias absolutas e os discursos da inevitabilidade.

Natasha Nunes

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