Elisa vai formosa e não segura criar PDF versão para impressão
18-Mai-2009

João Teixeira LopesNão há baile popular em que não esteja, dançando alegremente, Elisa Ferreira. O povo é que tem sido pouco. Percebe-se: apesar da simpatia dos músicos o bailarico é organizado pelo PS. E Elisa é a candidata pessoalmente escolhida por José Sócrates, apesar de só sonhar com o Parlamento Europeu (foi mesmo premiada com o 4º lugar na luista do PS). Aliás, um folheto que recebi em minha casa convidava-me para ir dançar com Elisa. Mais explicitamente, referia: «esqueça a crise e venha dançar com Elisa Ferreira». Não aceitei porque sou um pé de chumbo e porque acho, modestamente, que Elisa é um dos rostos da elite PS que nos lançou para a crise e que, por essa mesma razão, não nos vai tirar dela.

Aliás, ao insinuar-se que dançar com Elisa faz esquecer a crise, o PS apenas fornece mais um argumento para quem afirma, como o Bloco, que não se vislumbrou uma única ideia na campanha de Elisa que, todavia, já inundou a cidade com cartazes em que a candidata ora veste um xaile popular e colorido quando está com pobres e idosos, ora usa uma roupa modernaça com jovens estudantes visivelmente alcoolizados, ora ostenta um tailleur condigno com classes médias dos serviços. Para cada cenário, uma máscara. Para cada situação, a sua farsa.

Em ambos os casos: esqueçam a crise. Sorriam e dancem! Não se lembrem da precariedade, do desemprego, em particular dos 180 mil portugueses e portuguesas sem emprego não auferem qualquer subsídio. Não pensem na socialização dos prejuízos dos banqueiros (BPN, BPP, BCP...) com o dinheiro de todos nós, não pensem, tampouco, nos degradantes esquemas de corrupção que a crise desvendou. Esqueçam, sobretudo, que no Porto vivem 30% de pessoas em condição de pobreza.

Aqui está toda a diferença: o PS e Elisa tudo farão para que esqueçamos a crise. A nós cabe-nos estarmos preparados para a relembrar a cada minuto. Em nome de todas as suas vítimas. A primeira condição da mudança é a consciência de que a realidade que se vive é inaceitável.

João Teixeira Lopes

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