Números falsos ou o descaramento de Sócrates criar PDF versão para impressão
21-Mai-2009

Natasha NunesA notícia de que 15 mil registos de desempregados terão sido temporariamente apagados das listas do Instituto do Emprego e Formação Profissional é grave. É grave porque evidencia duas verdades que se vinham já intuindo: (1) os números do desemprego atingem patamares muito mais significativos do que aqueles que o PM admite e (2) o governo PS, sem pejo nenhum, no que diz respeito ao maior problema que o país enfrenta, mente descaradamente aos portugueses.

O facto de os números do desemprego estarem subavaliados pelo governo PS não se trata, em si, de uma novidade. Aparte do facto de do cruzamento de dados entre o IEFP e o INE brotarem frequentes discrepâncias, sabemos que nenhuma contabilidade efectiva do número de desempregados pode ser feita sem que sejam incluídos os desempregados de longa duração, aqueles que já não têm acesso a subsídio de desemprego nem a subsídio social de desemprego.

Outros indicadores são também úteis na avaliação da dimensão do assunto: o aumento exponencial, durante os últimos meses, do número de beneficiários do Rendimento Social de Inserção, que são já mais de 350 mil, demonstra-nos que os homens e as mulheres em situação de pobreza e desamparo, sem trabalho, é cada vez maior.

O país sabe, porque, como diz o outro, só não vê quem não quer, que o drama do desemprego ultrapassa em muito os cerca de 495 mil que Sócrates reconhece. O país não se surpreende, quando, tendo sido tornado publico que o caso dos 15 mil não se tratou de um acontecimento isolado, mas sim de uma prática sistemática de manipulação de dados apadrinhada pelo governo, se vê, claramente vista, mais uma mentira flagrante do PS de Sócrates.

Sócrates mente porque não quer admitir que não tem soluções. Não tem soluções para a questão do desemprego nem para a profundidade que a crise social tem vindo assumir. Não tem respostas porque não tem coragem. Não tem coragem de mudar de rumo.

Enquanto a lógica de Sócrates for a da precarização das condições laborais, da privatizações dos serviços públicos, do concubinato com os interesses parasitários dos grandes banqueiros e da alta finança, o objectivo e a função da esquerda progressista será o da construção de uma maioria social e de uma alternativa programática, credível e de confiança, assente nos pressupostos da justiça económica e da justiça social. Enquanto houver Sócrates o voto à esquerda será não apenas útil, mas também necessário.

Natasha Nunes

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