Ilusão e queda do país positivo criar PDF versão para impressão
02-Jun-2009

João Teixeira LopesVital Moreira, para além de um provocador experimentado, vive sob um manto de conspirações que a sua própria mente congemina, no afã de discutir o menos possível o «osso» destas eleições. Para além da «tirada do dia», desastrosa q.b. para desencadear uma onda de pânico no PS, desmentidos e desvarios, descobriu agora a grande cabala: forças ocultas usam os media para esconder o «país positivo». Nas suas iniciativas de campanha encontra, então, qual agulha no palheiro que decerto gasta horas e solas aos assessores do PS, empresas de «sucesso»: fábricas que (ainda) não despedem, trabalhadores que (ainda) o são, algumas tecnologias inovadoras, enfim, aquilo que qualquer país com um normal e sustentado modelo de desenvolvimento deveria ter.

Na verdade, Vital transforma a excepção na regra; o extraordinário em algo supostamente corriqueiro. Mas podemos sempre dar-lhe algumas rotas do país positivo: os campos de golfe; as refinadas gastronomias; os roteiros de sonho; os empreendimentos turísticos e comerciais cujo licenciamento soa a fraude e a corrupção; o «direito ao TGV» que a JS agora reclama, no cúmulo do absurdo, como se fosse um direito ou sonho geracional, obliterando por puro conformismo e obediência partidária a grande reivindicação do fim dos falsos recibos verdes, dos empregos precários a 500 euros e da intermitência; os offshores do BPN; os dividendos milionários dos gestores públicos e privados e, é claro, esse cenário idílico onde nada se passa e se ganha bem que dá pelo nome de Banco de Portugal.

O país positivo de Vital Moreira é o oásis dos que fingem desconhecer o deserto que grassa à sua volta. Tal fingimento, por impostura, revela até onde vai quer a insensibilidade, quer o medo de discutir o país real, quer, ainda, a ilusão auto-imposta, quase como se ele acreditasse na mentira que nos quer vender. Querem dar ópio ao povo, anestesiá-lo até à abstenção. Para o PS, o país positivo é o que se abstém no dia 7 de Junho.

João Teixeira Lopes

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