Ataques pessoais e acusações de corrupção no debate televisivo criar PDF versão para impressão
18-Jun-2009
Ahmadinejad e MoussaviEntre 2 e 8 de Junho, a TV estatal IRIB promoveu debates entre os candidatos presidenciais, sempre envolvendo dois deles. Foi a primeira vez que houve debates televisivos nas eleições iranianas. O mais aceso foi o que opôs Moussavi a Ahmadinejad, que envolveu ataques pessoais e acusações de corrupção. Artigo do Guardian resumindo o debate.


Mahmoud Ahmadinejad confronta o rival em debate de TV

Guardian 4/6/2009


O presidente do Irão trocou ataques pessoais e acusações com o seu principal rival, na noite passada, num áspero debate televisivo visto como fundamental para decidir as próximas eleições presidenciais do país. Num encontro extraordinariamente conflitivo ao vivo de 90 minutos, Mahmoud Ahmadinejad desencadeou um furioso fogo de barragem contra os seus críticos, num esforço final de salvar uma corrida que parece estar a virar-se contra ele.

Ahmadinejad tentou ligar Mir Hussein Mousavi, antigo primeiro-ministro e o seu principal concorrente, a dois ex-presidentes, Hashemi Rafsanjani e Mohammad Khatami, cujos governos afirmou terem sido corruptos.

Moussavi teve mesmo de defender a carreira académica da sua mulher, Zahra Rahnavard, depois de o presidente a ter acusado de obter ilegalmente duas graduações. Rahnavard, uma académica importante, tem feito campanha ao lado do marido, numa ruptura com as convenções políticas dominadas pelos homens.

Lutando para manter a calma, Mousavi descreveu a sua mulher como uma das principais intelectuais iranianas e investigadoras corânicas, e acusou Ahmadinejad de vexar a Presidência. "Está abaixo da dignidade do chefe do governo citar nomes de pessoas sem lhes dar a possibilidade de se defenderem", disse ao presidente. "O sr. Rafsanjani e o sr. Khatami foram presidentes deste país. O senhor está a maculá-los na frente de 50 milhões de pessoas, quando eles não se podem defender".

O debate foi o segundo de uma série de seis levados ao ar pelo canal estatal IRIB antes das eleições de 12 de Junho, nas quais Ahmadinejad procura obter um segundo mandato. Mas em contraste com um desbotado debate na terça-feira envolvendo os outros dois candidatos, Mehdi Karroubi e Mohsen Rezai, o de ontem à noite estalou de antagonismo.

Ahmadinejad, que apareceu com duas grossas pastas, avisara antes que tencionava dar os nomes daqueles que acusava de corrupção. Ele destacou os filhos de Rafsanjani e alguns outros funcionários que acusou de apoiarem Mousavi.

Mousavi, por seu turno, acusou Ahmadinejad de ser "auto-centrado" e de ter políticas baseadas na "ilusão e na superstição". Disse que tinha decidido candidatar-se contra ele após 20 anos de afastamento da política porque temia que o país enfrentasse um "grande perigo" como resultado das políticas externa e económica de Ahmadinejad.

A certa altura, os dois entraram em confronto sobre a detenção, dois anos antes, de 15 militares britânicos, acusados de terem entrado em águas territoriais iranianas antes de serem libertados, no meio de grande alarde, por Ahmadinejad. Moussavi disse que a visão dos marinheiros vestidos de fato recebendo os acenos de despedida de Ahmadinejad tinha ferido a imagem do Irão. Mas Ahmadinejad insistiu que tinha desmascarado as acusações de que os iranianos tinham tomado reféns, e afirmou que Tony Blair, o então primeiro-ministro, lhe mandou um pedido de desculpas por escrito.

Moussavi criticou o frequente questionamento de Ahmadinejad ao Holocausto. Mas o presidente, que no início do dia descrevera o Holocausto como uma "grande fraude", respondeu: "Por que não levantar a questão do Holocausto? Por que deveríamos temer que os europeus venham aqui falar de direitos humanos no nosso país?"

O debate ocorreu num momento em que surgem indícios de que Ahmadinejad está atrás de Mousavi nas sondagens. Uma sondagem da semana passada mostrou Moussavi à frente, por 38% a 34%, nas maiores dez cidades. As sondagens iranianas, porém, são claramente pouco confiáveis.

Tradução de Luis Leiria

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