PS aprova sozinho relatório sobre o BPN criar PDF versão para impressão
08-Jul-2009
Os portugueses ficaram a saber e a conhecer melhor o que se esconde por detrás das belas e modernas fachadas dos bancos portugueses, declarou João SemedoO relatório da Comissão Parlamentar de inquérito sobre o caso BPN foi aprovado apenas com os votos do PS. Na sua declaração de voto, João Semedo afirma que o Banco de Portugal foi "negligente", "ineficaz" e "tolerante até ao limite do absurdo". O deputado do BE considera ainda que "não foi a crise dos mercados financeiros que fez o BPN colapsar, mas sim a sucessão de fraudes que nele se verificaram e o falhanço da supervisão".

 

Apesar de terem sido introduzidas algumas alterações propostas pelo PSD e pelo PCP ao relatório apresentado pela deputada Sónia Sanfona sobre o caso do Banco Português de Negócios, a Comissão Parlamentar aprovou o documento apenas com os votos favoráveis do PS.

João Semedo, deputado do Bloco de Esquerda, apresentou uma declaração de voto com contundentes críticas ao relatório aprovado, considerando que "o Banco de Portugal foi negligente porque não procurou mais informação, foi ineficaz porque não aproveitou a informação de que dispunha, foi tolerante até ao limite do absurdo porque permitiu que sistematicamente as suas determinações fossem esquecidas e ignoradas, foi autista porque desvalorizou sinais e alertas oficiais como são os casos da operação Furacão e as cartas da Procuradoria Geral da República".

Em consequência, Semedo afirma que "o relatório desculpa o BdP e é simpático com a supervisão. Mas mesmo assim, é forçado a reconhecer que o BdP devia ter sido mais incisivo e diligente. Ao afirmar isto, o relatório está a dizer, em linguagem cuidada, no melhor estilo PS, que o BdP foi passivo e negligente. Seria de esperar que as conclusões do Relatório fossem consequentes com esta avaliação. Mas, não são. O Relatório constitui num elogio à supervisão". De resto, o deputado do BE salienta que  "ao contrário do que diz o Relatório, não foi a crise dos mercados financeiros que fez o BPN colapsar, mas sim a sucessão de fraudes que nele se verificaram e o falhanço da supervisão".

Para João Semedo, "a história do BPN, sendo uma história de enganos, não é apenas uma história de enganos. É muito mais do que isso, é uma história de protecção, protecção de banqueiros e do próprio sistema. O caso BPN mostra a fragilidade das fronteiras entre o engano, o erro e a protecção e de como é fácil a supervisão se confundir com protecção. Mas, quando conhecerem as Conclusões propostas pelo PS, os portugueses perceberão também que ainda não é desta que alguma coisa vai mudar a sério na banca portuguesa".

O deputado do Bloco de Esquerda salienta, no entanto, um aspecto positivo do trabalho da Comissão de Inquérito em que participou: "esta Comissão de Inquérito tem um saldo que nenhum relatório conseguirá apagar: os portugueses ficaram a saber e a conhecer melhor o que se esconde por detrás das belas e modernas fachadas dos bancos portugueses e do que é capaz gente tão idónea e acima de qualquer suspeita, que até o Dr. Vítor Constâncio e sucessivos ministros das finanças – invariavelmente do PS e do PSD, com um penetra do CDS, se deixaram enganar pelas suas boas maneiras, pelo seu charme, pelo seu profissionalismo. Tudo boa gente, tudo gente fina, tudo gente séria".


Ver também BPN: relatório parlamentar branqueia Banco de Portugal


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