BPN: PS esvazia conclusões do inquérito criar PDF versão para impressão
06-Jul-2009
Comissão de inquérito ao caso BPNEstamos a menos de 24h de conhecer as conclusões que o PS vai apresentar à comissão de inquérito ao caso BPN e com as quais se encerrará um dossier político que se prolonga há mais de seis meses no parlamento. O PS encontrou um estratagema para adiar até ao último momento a divulgação destas conclusões: artificialmente, "criou" dois relatórios, o expositivo e o conclusivo, o primeiro supostamente composto pelos factos e, o segundo, com as conclusões, sendo evidente que estas constituem a parte de leão do relatório.
Artigo de João Semedo A comissão de inquérito terá assim 24 horas para ler, analisar, discutir, alterar e votar as conclusões. O PS pretende impor conclusões minimalistas mas com a máxima discrição. O PS sabe que há na opinião pública grande expectativa - e também exigência, quanto aos resultados práticos do trabalho da comissão de inquérito ao BPN. O PS soprou um balão (para desgastar o PSD) que agora quer esvaziar (porque há evidências que não servem ao PS), se possível sem os portugueses saberem e perceberem.

A parte expositiva do relatório, cerca de 200 páginas, é insuficiente - não regista factos apurados e de grande importância para o conhecimento e a compreensão do que se passou e de quem disso tirou elevados proveitos. Por exemplo, o sistema de compra e venda de acções com chorudas mais-valias garantidas e acordadas com José Oliveira e Costa. E é unilateral - porque simpático, compreensivo, tolerante e desculpabilizante para o governo e para o Banco de Portugal.

Esta parte do relatório - a que já se conhece, indicia as conclusões que o PS quer retirar sobre o caso BPN, no que ele tem de mais relevante: o PS não pretende questionar a actuação do Banco de Portugal nem tão pouco permitir qualquer interrogação sobre a nacionalização ou sobre o elevadíssimo custo que os portugueses estão a pagar por ela, enquanto os accionistas se libertam e dispensam de assumir qualquer responsabilidade pelas consequências das fraudes que praticaram.

Não são precisos grandes dotes de adivinho para antever que será esta a opção do PS. Um, a supervisão do Banco de Portugal não podia ter feito nem mais nem melhor, ao estilo Deus no Céu e Constâncio na Terra. Dois, a crise dos mercados financeiros obrigou o governo a nacionalizar e não havia alternativas.

Nem uma coisa nem outra são verdade. Como, aliás, ficou claramente demonstrado ao longo dos trabalhos da comissão de inquérito ao BPN.

João Semedo

{easycomments}

 
< Artigo anterior   Artigo seguinte >
tit_todosdosiers.png
© 2020 Esquerda.Net
Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.