Bancos: nova supervisão, novo supervisor criar PDF versão para impressão
22-Jun-2009
Constâncio continua sem ver falhas na supervisãoConstâncio não vê falhas na supervisão. Teixeira dos Santos não vê falhas em Constâncio. Conclusão: Vítor Constâncio não se demite do Banco de Portugal.
Bastam duas linhas para resumir o que se passou na comissão de inquérito ao BPN, ao longo das duas últimas semanas, marcadas pelas audições dos dois principais responsáveis pelo funcionamento do sector financeiro.
Artigo de João Semedo

Com tanta cegueira, a supervisão bancária vai continuar cega. Ou seja, o regabofe na banca vai continuar. E se surgirem novos BPNs, BCPs ou BPPs, o estado corre em socorro de bancos e banqueiros falidos, sempre à custa do dinheiro dos portugueses. Só no BPN, já lá vão 2,5 mil milhões de euros. Por enquanto...

Em 2004, o PGR/DCIAP pergunta a Vítor Constâncio sobre o Banco Insular. Vítor Constâncio responde que não conhece.

Em 2005, é lançada a Operação Furacão. Abre telejornais e enche primeiras páginas durante vários dias. Vítor Constâncio não deu por nada.

O Banco Insular tem contas abertas no Montepio geral desde 1998. Vítor Constâncio não sabia, nem procurou saber.

Sucessivas inspecções do BdP ao BPN (2001, 2003, 2005, 2007) identificam processos e situações irregulares, indiciando práticas ilegais e, nalguns casos, sugerindo operações fraudulentas. Sistemática e reiteradamente, o BPN persiste e o BdP consente na desobediência. Justificação: eram pessoas idóneas, quem iria imaginar que Oliveira e Costa seria capaz de uma coisa daquelas.

Ingenuidade? Negligência? Proteccionismo? Com tanta informação disponível, como pode Vítor Constâncio vir agora falar em ingenuidade? Sabe-se hoje o que o BdP sabia sobre os esquemas no BPN. E sabia-o há demasiado tempo mas, apesar disso, não agiu a tempo e horas. A negligência do BdP facilitou e protegeu o gangsterismo financeiro que tomou conta do grupo SLN/BPN.

Vítor Constâncio acha que o BdP fez tudo que tinha a fazer porque as fraudes são inevitáveis. Diz-se, mesmo, de consciência tranquila. A leveza da sua consciência pesa muito nas contas públicas e no bolso dos portugueses: dois mil e quinhentos milhões de euros, até ao momento.

Teixeira dos Santos diz não haver nem outra nem melhor alternativa à nacionalização do banco. Esqueceu-se apenas de explicar para quem é que ela foi a melhor: para os accionistas, pois claro, assim "limpos" de qualquer responsabilidade tanto no colapso do banco como no pagamento do colossal buraco financeiro a que a sua ganância e aventureirismo conduziram.

Desta comprida e acidentada história de enganos, retiram-se algumas conclusões. Desde logo que a melhor maneira de assaltar um banco é administrá-lo. E que, isso é bem mais fácil quando o "polícia" é o Banco de Portugal. Por último, que a inadiável e reclamada mudança na supervisão bancária em Portugal exige a mudança do supervisor. Sem isso, nada feito.

João Semedo

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