Insólitos do Banco de Portugal no caso BPN criar PDF versão para impressão
10-Jul-2009
Vítor Constâncio na comissão de inquérito ao caso BPN - 8 de Junho de 2009O "caso BPN" e a Comissão de Inquérito ficaram marcados por questões que ficaram sempre por resolver.
De início, simples perguntas foram sendo confrontadas com depoimentos ou documentos contraditórios. Muitas delas foram tendo respostas cabais durante a Comissão - veja-se, por exemplo, as versões contraditórias de Dias Loureiro e António Marta sobre a reunião no Banco de Portugal.

Os Ofícios da PGR

A 10 de Dezembro de 2004, a PGR envia o seguinte ofício ao Banco de Portugal:

ins1.jpg

A 27 de Dezembro de 2004, a resposta do Banco de Portugal foi esta:

ins2.jpg

A 15 de Junho de 2007, a PGR volta a perguntar ao Banco de Portugal:

ins3.jpg

A resposta do Banco de Portugal, 11 de Julho de 2007, foi novamente:

ins4.jpg

A PGR insiste, a 25 de Julho de 2007:

ins5.jpg

Só então, a 2 de Janeiro de 2008, vem uma resposta conclusiva do Banco de Portugal:

ins6.jpg

Mas de quando datam essas transferências?

1 de Abril de 2004 e 28 de Julho de 2004, ou seja, anteriores ao primeiro ofício da PGR, ao qual o BdP respondeu negativamente.

ins7.jpg

E que fez o BdP, detectado isto? Aparentemente, mais nada.

No entanto, bastou ao Deputado João Semedo requerer, através da Comissão de Inquérito, que o Montepio enviasse os extractos desta conta e...

A conta do Banco Insular foi aberta em Setembro de 1998, no balcão das Amoreiras, em Lisboa. Havia uma conta bancária comum, à ordem do Banco Insular, onde se movimentavam regularmente centenas de milhares de euros. Estavam sujeitas a registo e mesmo assim o BdP não viu. Muito deste dinheiro era transferido para offshores da SLN ou dos seus administradores. Nem após divulgar o nome das empresas o BdP se apercebeu deste facto. Mas bastou ao Bloco de Esquerda fazer uma consulta no site do Ministério da Justiça para saber quem eram os administradores em causa.

Para além disto, existia desde 2004 na conta do Insular no Montepio uma conta de títulos à ordem da SLN - o que evidenciava já a relação do Insular com o grupo SLN.

Tudo isto o BdP não detectou.

Mesmo quando, em 2008, um funcionário do BdP envia ao BPN um mail a perguntar se este conhecia o Insular, a justificação para o envio deste mail é a seguinte:

"Curiosamente, a pessoa que enviou o e-mail nem se recordava tão pouco do envio desse e-mail. O e-mail de Junho, que, pelos vistos, no BPN, caiu como uma «bomba atómica», quem o expediu fez uma coisa inocente e inocente, porque desconhecia por completo que houvesse a ligação, simplesmente."

 
< Artigo anterior   Artigo seguinte >
tit_todosdosiers.png
© 2019 Esquerda.Net
Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.