Europeias: a derrota do PS e o crescimento da esquerda socialista criar PDF versão para impressão
11-Jun-2009

João SemedoComo é habitual em todas as eleições, os resultados do passado domingo originaram uma multiplicidade de comentários, análises, interpretações e leituras. E não poucas mistificações, também.

No entanto, há duas evidências sem contestação: a derrota do PS e o crescimento da esquerda à esquerda do PS.

A derrota do PS é estrondosa, foi um dos piores resultados de sempre. Olhando para a Europa, pior só mesmo o partido trabalhista de Gordon Brown.

À esquerda do PS, a esquerda vale mais de 20%, um crescimento para o qual o Bloco deu o principal contributo: por cada novo voto no PC, o Bloco conquistou três novos eleitores.

O PS diz-se vítima da crise e atribui à crise a sua derrota. Não é verdade. As razões da derrocada eleitoral do PS são muito anteriores à crise e têm raízes na frustração das expectativas de esquerda que levaram o PS à vitória e à maioria absoluta em 2005. Rendido à economia de mercado em versão ultra-liberal, José Sócrates governou em função dos interesses dos grandes grupos económicos e financeiros e não dos problemas e necessidades da base social e eleitoral que lhe deu a maioria.

Escolhido para governar pela esquerda, Sócrates deslocou-se em sentido oposto. Governou à direita, não se distinguindo em aspectos essenciais dos governos conservadores e de direita que, nos últimos anos, dominam a maior parte dos países da União Europeia.

É esta contradição entre as expectativas que lhe deram uma maioria absoluta e a realidade do que foi a sua governação que explica o desastre eleitoral do PS.

A crise apenas tornou mais evidente esta contradição. A crise tornou mais claro que o governo do PS é mais lesto a salvar banqueiros aflitos que a apoiar os trabalhadores atirados para o desemprego e a pobreza.

Não chegou a um milhão os que votaram no PS. Foram muitos mais os que deixaram de votar PS, recusando patrocinar as políticas de José Sócrates.

Foi o PS que perdeu as eleições, não foi a esquerda. A esquerda cresceu e cresceu contra as políticas do PS.

Tal como em 2005, nestas eleições o eleitorado inclinou-se para a esquerda. Cresceu a esquerda que se bate por uma rotura com as políticas do "centrão" e por uma viragem à esquerda.

Os resultados provam que a esquerda socialista e popular está mais forte, traduzindo a força crescente dos que não se resignam e querem uma mudança real na política do país.

A votação do Bloco cresceu por força dessa vontade, afirmando o Bloco como a força agregadora dos que lutam e se batem por uma alternativa socialista.

São muitos os que, não tendo votado agora, não desistiram nem se desinteressaram dessa alternativa. Homens e mulheres que não querem voltar a ser enganados. Que procuram outra política, mais solidária e menos autoritária. Uma política de esquerda.

A três meses das eleições legislativas, os resultados do passado dia 7 demonstram ser possível (e também necessário) acrescentar mais vontades e novos protagonistas a esta dinâmica de mudança social e política que o Bloco desenvolve e corporiza.

Os resultados das eleições para o PE abrem novas expectativas para a esquerda.

João Semedo

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