A estrela teimosa que não pára de crescer criar PDF versão para impressão
11-Jun-2009

João Ricardo VasconcelosOs resultados eleitorais do Bloco no passado domingo voltaram novamente a surpreender. Quando 9% já seria um excelente resultado, surgiram uns impiedosos 10,7%. A estrela que surgiu há 10 anos atrás teima em não parar de crescer. Aos poucos vai merecendo o voto de mais e mais cidadãos.

Olhando para o percurso do Bloco nos últimos 10 anos, ficamos com a certeza que o crescimento tem acontecido de forma progressiva e sustentada: 2,46% nas legislativas de 1999, 1,18% nas autárquicas de 2001, 2,75% nas legislativas de 2002, 4,92% nas europeias de 2004, 2,95% nas autárquicas de 2005, 6,38% nas legislativas de 2005, 10,7% nas europeias de 20091.

Já não são apenas os jovens urbanos irreverentes do litoral do país que apostam no Bloco. De norte a sul, do litoral ao interior, incluindo naturalmente as ilhas, o Bloco é uma força política nacional em que as pessoas apostam crescentemente. E o que mais tem surpreendido, e estas europeias vieram ajudar a comprovar, é que o seu eleitorado-típico tem vindo a alargar-se progressivamente.

O Bloco não é uma moda e não é um fenómeno conjuntural, como muitos suspeitavam ainda há poucos anos atrás. Tem vindo a assumir-se progressivamente como uma força política de média dimensão em que pessoas confiam, em que as pessoas se revêem e a que reconhecem inteligência e coerência. E, sobretudo, uma força política onde as pessoas procuram a alternativa.

Como é evidente, após os normais festejos com os resultados obtidos nas Europeias, o Bloco deverá continuar o caminho que fez até aqui. E deverá fazê-lo com a teimosa humildade que o caracteriza, com a abertura e atenção aos problemas da sociedade que sempre teve e com a defesa de uma política à esquerda séria e exigente. Enquanto assim for, a estrela continuará a brilhar fortemente fruto da confiança que tem merecido. E, certamente, o seu teimoso crescimento não ficará por aqui.

João Ricardo Vasconcelos, autor do blogue Activismo de sofá

1 Dados obtidos em eleicoes.mj.pt. Excluimos as presidênciais por não serem eleições de âmbito partidário e as regionais por se tratarem de realidades eleitorais com especificidades muito significativas.

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