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14-Jun-2009

Bruno MaiaAs eleições do passado domingo, já foram vistas, revistas, analisadas, viradas do avesso e até esquecidas, por alguns. As análises imediatistas são necessárias e fortalecem o valor dos resultados, dando significado à expressão nas urnas. Chega agora a altura de pensar sobre os desafios que se colocam à política deste país.

O Bloco tem uma história simples e, ao mesmo tempo, complexa. A história simples é a história de todos os comentadores, analistas, politólogos e jornalistas que desde há uma década se dedicam a prever o futuro do Bloco. Há 10 anos o projecto era insustentável, não tinha pernas para andar, o mapa político português era estanque e estava definido desde a década de 70. O Bloco não tinha espaço. Desde então o Bloco tem crescido sempre - nas eleições, no número de eleitos nas instituições, na presença nas ruas, manifestações e movimentos sociais. E de força política vaticinada ao fracasso imediato passou a 3ª força política a nível eleitoral. Há quatro anos, nas legislativas, a pressão do voto útil no PS era grande, o Bloco iria sucumbir perante o apela à maioria absoluta dos socialistas. O Bloco cresceu estrondosamente (mesmo tendo o PS garantido a sua maioria). Esta é a história simples: uma força que às suas próprias custas cresceu contra todas as previsões, contra todos os desejos.

A história complexa é a das razões deste crescimento tão "imprevisível" para todos aqueles que já andavam por cá e é delas que me quero ocupar.

Nestas eleições o Bloco enfrentou novas "previsões", novas leituras dos seus resultados - o voto de protesto é a nova moda de José Manuel Fernandes, Pacheco Pereira e companhia. Muito interessante, até porque o voto no Bloco é mesmo um voto de protesto. É um voto de protesto, é um voto zangado, é um voto de desespero, é um voto de raiva. E tudo dirigido a quem perdeu estas eleições - o "centrão" - PS e PSD tiveram juntos, um dos seus piores resultados de sempre, mal chegaram aos 50%! E o protesto é contra a rotatividade das políticas que rodam mas não saem do sítio, contra quem preparou e facilitou a crise económica e contra quem não está a saber responder a ela. Contra aqueles que durante 3 décadas governaram as grandes fortunas, os grandes bancos privados e desistiram de governar o país. Contra a oligarquia política incompetente, que governou ao sabor das vontades de uma outra oligarquia incompetente: a dos senhores dos grandes negócios. Contra a miséria intelectual e a indecência da promiscuidade entre os órgãos de poder de Estado e os grandes interesses económicos.

O voto no Bloco é um voto de protesto, porque quem votou no Bloco votou em quem realmente protesta e sabe-o! Mas o protesto é uma razão simplista e muito pouco inteligente para se justificar o voto no Bloco. O crescimento do Bloco na última década tem uma outra razão, muito mais sólida - o Bloco cresceu e soube responder aos desafios desse crescimento. Criou uma linha de intervenção e de actuação próprias e foi construindo um programa alternativo ao rotativismo das elites. Cresceu e espalhou-se pelo país, pelas fábricas, pelos call-centers, pelos sindicatos, pelas associações de imigrantes, pelas faculdades, pelas escolas e ao espalhar-se aprendeu a assimilar, a ouvir e a integrar todas as vozes de protesto e todas a vozes da alternativa.

Hoje o Bloco tem um programa para governar o país, para dar resposta ao flagelo do desemprego, para reabilitar os serviços públicos, para defender a escola pública e o serviço nacional de saúde, para modernizar as nossas vidas e para destruir as várias formas de exclusão. Quem votou no Bloco sabe-o e por isso votou no Bloco - porque à esquerda há uma nova solução, um novo contingente de ideias rigorosas e responsáveis e de soluções urgentes. Quem votou no Bloco sabe que estas soluções só se cumprem destruindo o rotativismo vigente.

Uma das frases que o Bloco escolheu para esta campanha é ideal para descrever o momento em que se encontra a esquerda alternativa em Portugal: Estamos Prontos! E estamos mesmo prontos para isso: para o poder. Falta-nos os milhões de portugueses necessários para construir um referencial político de participação diferente e oposto ao que existe. Mas vamos lá, sempre a crescer!

É esta a história complexa do Bloco: a de uma força política que nasceu há 10 anos com muito pouco, cresceu e enfrenta agora um dos seus maiores desafios: o poder. E o poder não são alianças, convergências forçadas ou negociações de cúpula. O poder para o Bloco tem que ser o poder da alternativa, o poder da transformação. O crescimento do Bloco e a construção do seu programa para governar fizeram-se sempre contra o rotativismo PS/PSD e é aí que reside a sua força, a sua esperança e o seu futuro.

Estamos prontos porque estamos confiantes no nosso programa e nas nossas soluções. Estamos prontos para convergir e para crescer entre todas e todos, entre trabalhadores, desempregados, precários, imigrantes e tantos outros e outras cujas vidas não cabem mais nesta caixa medíocre do "centrão". E será com todos estes e estas que seremos poder - Estamos prontos para ele!

Bruno Maia

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