Vencer o medo, pela igualdade criar PDF versão para impressão
15-Jun-2009

Tiago GillotO Movimento Pela Igualdade (MPI) apresentou-se à sociedade portuguesa há duas semanas. É uma iniciativa com muita força: porque arrancou juntando várias centenas de personalidades e activistas, de várias proveniências e sensibilidades, para furar o falso consenso conservador do silêncio e do medo, unidas por um texto fundador que exige "igualdade no acesso ao casamento civil" e o "reconhecimento pleno da vida conjugal e familiar dos casais do mesmo sexo".

É sabido que este não é um debate novo. Aliás, por esse mundo fora, a igualdade no casamento vem sendo reconhecida legalmente em muitos países. Com ele, diga-se, não terminarão as razões da luta pela igualdade - esta discriminação massacra as vidas de quem não cumpre as regras dos modelos de sexualidade impostos e subtrai liberdade a todos e todas. O direito ao casamento por pessoas do mesmo sexo - associado a todos os direitos que daí devem decorrer - é o mínimo que o Estado não pode deixar de garantir, com a máxima urgência.

Esta iniciativa já está a impressionar pelo que está a juntar. Vemos muitas caras e vozes a contribuírem com a sua vontade, assumindo publicamente a responsabilidade de mudar esta lei e acreditando nessa possibilidade: além do abrangente e numeroso contingente de figuras públicas, a petição do MPI garantiu, só nos primeiros três dias, a subscrição de mais de 5 mil pessoas.

A luta dos homens e mulheres LGBT não começou ontem. Conta com décadas de intervenção e muita coragem. Este é mais um passo. E se o MPI é um passo grande, é porque alia abertura e ambição para acabar com uma discriminação insuportável e enfraquecer a força do conservadorismo que a sustenta.

Os próximos dias são oportunidades para juntar ainda mais. A Marcha do Orgulho LGBT realiza-se em Lisboa já no próximo sábado e no Porto a 11 de Julho. São iniciativas importantes, em que quem acredita na igualdade só pode querer participar - e terão ainda mais significado se traduzirem o crescimento da mobilização para acabar com a discriminação, a violência e a opressão.

Vencer o medo: além de tudo o resto, é do que se trata. E para mudar esta lei, é preciso, sobretudo, vencer o medo de quem tem o poder de a alterar - uma coragem que faltou, por entre desculpas vazias, à maioria absoluta do PS que termina, mirrada, o seu mandato brevemente. Fica sempre "para depois". O que a força deste movimento está a dizer - e muito bem - é que já esperámos, todos e todas, tempo demais.

Tiago Gillot

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