O Bloco e a campanha na Net criar PDF versão para impressão
15-Jun-2009

Luís LeiriaO Bloco de Esquerda não foi só o partido que mais cresceu nestas eleições europeias em Portugal. Foi também o partido que maior presença online teve durante toda a campanha.

Não precisámos contratar assessores de Obama, como supostamente fez o Partido Socialista (onde estão eles? O que fizeram?); não andámos a trombetear pelos jornais que somos o maior partido online, como fez o PSD, a ver se "pegava" (e "pegou" num recém-criado - e ingénuo - jornal que quer ser de referência); nem andámos a desdenhar dos comícios, como fez aquele mesmo partido para disfarçar a falta de apetência da sua líder pelo contacto com os eleitores; o Bloco fez comícios que reuniram milhares de pessoas, multiplicou os contactos de rua, mas fez também a maior, mais ampla e mais completa campanha online de todos os partidos.

Desculpem-me a falta de modéstia, já que fui um dos responsáveis por esta campanha online; mas a Net tem destas coisas: é perfeitamente mensurável. Toda a campanha de todos os partidos está ainda online e pode ser exaustivamente medida e contabilizada. Com a excepção da audiência dos sites de campanha, que não é pública, tudo o resto está disponível a quem se queira dar ao trabalho de fazer as contas: da audiência dos vídeos à presença nas redes sociais, tudo pode ser verificado e comparado. Eis um resumo possível desses dados, compilados na seguinte tabela:



PSD

PS

Bloco

CDU

CDS

Vídeos campanha

58

270

45

16

-

Vídeos campanha (visualizações)

4279

2268

38992

1997

-

Tempos de antena (visualizações)

1278*

2273

4225

483

908

fotografias

331

265

1114

98

**

Notícias produzidas

***

63

49

80

****

Amigos facebook líder

894

-

2351

-

-

Amigos facebook candidato

926

-

1145

-

-

Seguidores twitter

650

-

1591

93*****

-

* Soma dos canais Sapo e Youtube

** O CDS não fez galerias de fotos nem identificou a autoria das fotos que acompanhavam notícias retiradas da imprensa

*** O PSD não produziu notícias próprias, reproduzindo apenas notícias da imprensa e posts de blogs com que se identificou.

**** O CDS não produziu notícias próprias, reproduzindo apenas notícias da imprensa.

***** Dados de 19/6. Ver Post scriptum 2

A contagem dos dados desta tabela foi feita nos dias 11 e 12 de Junho.

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O Bloco de Esquerda teve, durante toda a campanha, uma equipa de reportagem que produzia artigos, tirava fotografias e filmava as iniciativas onde quer que a caravana de campanha estivesse. Assim, quem quisesse acompanhar a campanha do Bloco encontrava na respectiva secção do Esquerda.net artigos, fotografias das arruadas, vídeos das visitas a fábricas, notícias dos comícios, numa informação que tentámos que fosse o mais atraente,variada e completa quanto possível. Ao mesmo tempo, através das redes sociais, procurámos estender essa informação da forma mais ampla possível. Os amigos de Francisco Louçã, de Miguel Portas ou do Bloco de Esquerda no Facebook receberam informação actualizada da campanha, e os seguidores do Bloco no Twitter estavam sempre a par do que estava a acontecer; as fotografias foram postadas no FlickR e os vídeos no Youtube, seguindo uma prática que já é muito anterior à campanha eleitoral.

Como fizeram os outros partidos?

De todos eles, o PSD foi o único que tentou tirar partido das redes sociais; mas o alcance dos seus "comícios virtuais" foi muito menor que o do Bloco, como se pode ver na tabela acima (dados sobre o Facebook e o Twitter). A sua produção de vídeos foi um pouco maior que a do Bloco, mas muitos vídeos limitavam-se a reproduzir as declarações do líder à imprensa, sem qualquer edição que os tornasse mais atraentes. O resultado foi uma audiência (visualizações dos vídeos) pouco superior a 10% da obtida pelos vídeos do Bloco. Ao mesmo tempo, o PSD não fez produção própria de notícias, limitando-se a reproduzir artigos da imprensa; e o seu blog era apenas o copy-paste de posts de outros blogs.

Do PS esperava-se muito, pelo menos desde a notícia da contratação de assessores de Obama. O resultado é no mínimo surpreendente. Ao contrário de Obama, o PS não teve presença nas redes sociais. As notícias que produzia no site de campanha "Nós Europeus" eram pouco mais que notas de agenda. Já os vídeos são um verdadeiro caso à parte: houve um frenético trabalho de produção de vídeos (270) que estão no canal "Nós Europeus" do Sapo. No entanto, não foram sequer linkados no site de campanha! Na verdade, o link PSTV conduz apenas aos tempos de antena e à declaração final de Vital Moreira. O resultado disto é que as centenas de vídeos do PS não foram vistas por ninguém - há mesmo vídeos que têm 0 visualizações. No total, 2.273 visualizações para 270 vídeos, o que dá 8,4 visualizações por vídeo.

A campanha do CDS na Net é quase inexistente. Vídeos, só os tempos de antena, as notícias são reproduções editadas do que saiu na imprensa, e nem sequer se sabe se as fotografias eram ou não originais. O partido que anunciou triunfalmente a abertura de canais de televisão na Internet, abandonou o Youtube (o vídeo mais recente daquele canal é de há mais de seis meses) e no Sapo só tem, da campanha, os tempos de antena.

Finalmente, a CDU fez um esforço sério e profissional de desenvolver a campanha na NET, que culminou nos seus diários de campanha, pequenos telejornais, com apresentador, reportagens e entrevista, de edição diária durante a campanha oficial. Um esforço que deve ter mobilizado uma considerável equipa, que teve porém um resultado final muito aquém do que se esperaria em termos de audiência (ver tabela). Note-se ainda que a CDU ignorou as redes sociais, e que retirou do ar os seus sites, nomeadamente o do PCP, durante a campanha, redireccionando todo o tráfego para o site da CDU.

O Bloco, por seu lado, manteve a edição diária do Esquerda.net como um site de informação alternativa. A secção dedicada à campanha estava claramente identificada (até por uma cor diferente), mantendo a nossa já tradicional política de separar o que é informação do que é campanha ou opinião. É esta política que manteremos nas próximas campanhas eleitorais. É que, para o Bloco, a aposta na Net não é uma coisa que apenas nos ocorre como soundbyte de campanha. Os três anos do Esquerda.net e o seu crescimento contínuo e sustentado aí estão para testemunhá-lo.

Post scriptum: um amigo fez-me chegar o link do site da campanha de Vital Moreira para me mostrar que de facto  o PS linkou os tais 270 vídeos (clicar em vídeos). Fica a correcção. Mas o essencial do que disse mantém-se, e ainda pior  para o PS: os vídeos foram linkados, mas ninguém os viu...

Post scriptum 2: O atento leitor VascoG informa que a CDU, os Verdes e o PCP usam o tweeter. Como não põem links em lugar algum, não sabia. Aqui fica a correcção e a contailização de seguidores:

PCP: 169

Os Verdes: 161

CDU: 93

Luis Leiria

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