Não pretendemos ser dados para análise de estatística! criar PDF versão para impressão
22-Jun-2009

Daniel BernardinoOs trabalhadores da Autoeuropa, também são os trabalhadores do parque industrial, que são em número superior aos trabalhadores directos da Autoeuropa, empresa barómetro de todo este universo superior a 9.000 trabalhadores. Sejam quais forem as medidas a tomar pela administração da Autoeuropa, poderão ter consequências directas em todo o parque industrial, o que poderá levar a que as perdas sejam superiores aos ganhos que este acordo nos poderia trazer. Portanto cabe aos representantes dos trabalhadores reflectirem sobre este assunto e explicar aos trabalhadores quais foram, alguns, dos motivos que potenciaram essa reprovação.

Aqueles que são os profetas da desgraça terão medido as consequências da inconsciente decisão que alguns trabalhadores tomaram, quando votaram contra o pré acordo alcançado pela Comissão de Trabalhadores (CT), a qual sempre disse que se tratava de uma flexibilidade e não de uma retirada de direitos aos trabalhadores, dado que no final de 2011 terminariam os sábados ao preço de um dia normal de trabalho? Que se assumam os representantes dos trabalhadores que condenaram este pré acordo para que, se assim acontecer e esperamos que não, saibam retirar da sua postura as consequências que recaíram sobre os trabalhadores dependendo da decisão da administração.

A competitividade em que vivemos permitir-nos-á que sejamos rígidos ao ponto de podermos hipotecar o futuro deste universo de trabalhadores? Não me parece! Talvez já devêssemos ter aprendido com o nosso passado em que as consequências foram sempre sobre os trabalhadores, que o digam os que foram trabalhadores de empresas do sector automóvel em Portugal que já encerraram, as quais não vou aqui nomear, com todo o respeito porque são sobejamente conhecidas na praça pública, mas também por serem muitas.

Temos assistido a movimentos de defesa dos trabalhadores que não têm acompanhado o movimento das multinacionais e isso é de facto preocupante!

Abandonar as ideias fixas é evoluir. Existe de facto um problema difícil de ultrapassar neste campo, temos de aprender a saber corrigir os erros do passado e acreditar naqueles que possuem as informações credíveis sobre a situação das empresas e com visão para o futuro. Quanto a esta questão os trabalhadores deste parque industrial têm demonstrado que queriam e querem ser diferentes, portanto acho que a reprovação deste pré acordo foi um "acidente de percurso" que será reparado.

Não nos podemos desvincular da globalização, porque a sua velocidade determina como funcionam os mercados, os governos e os empregos de cada país, e certamente não pretendemos ser dados para análise de estatística.

Daniel Bernardino

Coordenador da Comissão de trabalhadores da Faurecia

Parque Industrial Autoeuropa

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