Mete-se um biombo e já está! criar PDF versão para impressão
26-Jun-2009

João Ricardo VasconcelosA necessidade de biombos identificada por Carlos César para tapar alguns ministros deste Governo é uma pérola difícil de esquecer. Voluntariamente ou não, César lançou um soundbite de grande potência, cuja força reside precisamente na verdade inconveniente que encerra. Muitos biombos começam agora a ser erguidos. Há que estar atento na Era dos Biombos que já se iniciou.

Como é sabido, os biombos destes tempos não servem apenas para tapar alguns ministros caídos em desgraça. Servem sobretudo para disfarçar medidas, políticas e até posturas. São precisos exemplos? Ora vamos a isso: TGV? Mete-se um biombo e já está; BPN? Mete-se um biombo e já está; Avaliação de professores? idem; Aumento da carga fiscal? Idem; Código do trabalho? Idem; Financiamento do ensino superior? Idem; Casamento de pessoas do mesmo sexo? Idem; and so on, and so on... O biombo é uma solução maravilhosa, não é?

E desengane-se quem pense que é exclusivo para governos em busca de um segundo mandato. Não, não! É pró menino e prá menina. Veja-se, por exemplo, como o PSD está tentar passar uma imagem de amigo dos fracos e oprimidos (como se não nos lembrássemos do cavaquismo), de total credibilidade e verticalidade (como se o caso BPN fosse uma alucinação colectiva e o Governo Santana Lopes nunca tivesse existido), de responsabilidade nas finanças públicas (como se Ferreira Leite não tivesse sido uma desastrosa ministra das Finanças há apenas 5 anos atrás), de inimigo das grandes obras faraónicas (como se não fosse por excelência o partido do betão).

Os biombos são de uma utilidade formidável. Metem-se e já está! Quase esgotam tão grande é a procura que merecem nestes tempos. Como é evidente, cada um é livre de acreditar nos biombos e tapumes que quiser. No entanto, às forças políticas sérias compete, no mínimo, colocar sinais triangulares de perigo a assinalar a presença dos diversos biombos. Do tipo: "Atenção! Biombo!" Uma espécie de trabalho cívico, portanto.

João Ricardo Vasconcelos, autor do blogue Activismo de Sofá

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